sexta-feira, 22 de setembro de 2017

NA DISPUTA ENTRE LEOPOLDO BULHÕES E XAVIER DE ALMEIDA NASCEU O MUNICÍPIO DE SANTA RITA DO PARANAÍBA


XAVIER DE ALMEIDA VEIO DO GRUPO DE LEOPOLDO DE BULHÕES NO INÍCIO DA REPÚBLICA, CRIOU ESPAÇO PRÓPRIO A PARTIR DE 1901, MAS LEOPOLDO DE BULHÕES DEU O GOLPE POLÍTICO QUE IMPEDIU O SANTARRITENSE HERMENEGILDO DE MORAIS DE SER GOVERNADOR DE GOIÁS - ASSIM PODE TER NASCIDO A EMANCIPAÇÃO DE SANTA RITA DO PARANAÍBA, HOJE ITUMBIARA.



3.2  O “GOLPE POLÍTICO”  DE 1909 EM GOIÁS

          O processo que se torna o Golpe Político  de 1909 em Goiás tem relações que podem estar ligadas ao ano de 1869 em pleno desenrolar da Guerra do Paraguai com o casamento de Francisca Carolina de Nazareth Moraes que construiu uma família que mudou os rumos políticos de Goiás.  Podem também apontar desdobramentos a partir de 1901 com  a chegada de Amélia Augusta de Moraes ao Palácio Conde dos Arcos na capital do estado, quando assume a presidência do Estado o bacharel José Xavier de Almeida, até concluir com o evento da emancipação de Santa Rita do Paranaíba, sempre passando pela casa de Francisca Carolina de Nazareth de Moraes, mesmo a partir de 1905 com a morte do coronel Hermenegildo Lopes de Moraes e que a casa de Morrinhos tem uma mulher como protagonista a partir de seu ambiente privado.
          Além dos casamentos, da formatura dos bacharéis, das viagens e da morte do coronel Hermenegildo Lopes de Moraes, outros embates políticos que ocorreram a partir de 1904 fazem parte do processo que vai resultar no golpe político de 1909 e na emancipação de Santa Rita do Paranaíba.
          Outras relações além de políticas, religiosas e familiares também fazem parte do processo, como a política fiscal dos governos Xavier de Almeida e Miguel Rocha Lima que também influíram na eclosão do Movimento golpista de 1909, colocando em evidência e ao lado de José Leopoldo de Bulhões Jardim, os  fazendeiros descontentes  no Estado, responsáveis pela principal atividade  da economia goiana entre 1901 e 1909.
A eleição de 1908 para deputados e senadores estaduais também influenciaram  no Movimento golpista  de 1909, já que  aliados de José Leopoldo de Bulhões elegeram maioria, fato que  possibilitou não reconhecer o presidente eleito, o bacharel Hermenegildo Lopes de Moraes em 1909.
          Devido a crise econômica e arrocho fiscal,  e tendo ainda o deslocamento do poder da capital para o interior, com o fortalecimento do grupo político de Morrinhos,  o bacharel Antônio Ramos Caiado, o Totó Caiado e o engenheiro e militar Eugênio Jardim  lideraram o movimento golpista ao lado  de fazendeiros que cercaram a capital de Goiás em 13 de Março de 1909 e forçaram a saída de Miguel da Rocha Lima do Governo e retirada da vida política do bacharel José Xavier de Almeida.
          Além de não reconhecer a vitória de Hermenegildo Lopes de Moraes, o filho, como presidente de Goiás a partir de 1909, não foram reconhecidos também deputados e senadores eleitos. O perdedor Urbano Coelho de Gouveia, cunhado de José Leopoldo de Bulhões Jardim assumiu o poder em julho de 1909 após o golpe político iniciado em março do mesmo ano.
          O Congresso Legislativo Estadual composto por doze senadores e vinte e quatro deputados estaduais, se reunia duas vezes por ano entre maio e julho, ocasião em que votou a Lei de emancipação de Santa Rita do Paranaíba, que foi sancionada em 15 de julho de 1909 pelo presidente do Estado em exercício, José Baptista, terceiro vice-presidente.
          O enfraquecimento de Morrinhos ocorre entre 13 de março, quando Miguel da Rocha Lima é obrigado a abandonar o governo pelo golpe de 1909, passa pela mudança do poder para o primeiro vice-presidente Francisco Bertoldo e em seguida para o presidente do Senador Jubé, chegando até ao coronel anapolino  José da Silva Baptista, antes de assumir definitivamente o engenheiro Urbano Coelho de Gouveia em 24 de julho de 1909, derrotado nas urnas e elevado presidente através de golpe político.
          Quando a família de Francisca Carolina de Nazareth de Moraes está fora do poder com a volta para casa do filho Hermenegildo Lopes de Moraes, do Genro José Xavier de Almeida e da filha Amélia Augusta de Moraes, Morrinhos está fora do poder e Santa Rita do Paranaíba está emancipada.
          Alguns nomes aparecem na emancipação de Santa Rita do Paranaíba, como do coronel José da Silva Batista, o Zeca Batista, terceiro vice-presidente do Estado que estava exercendo a presidência até 23 de julho de 1909.          Liderou parte do Golpe de  1909 a partir de Anápolis e assumiu o governo de Goiás a partir de primeiro de maio de 1909. Sancionou a Lei de emancipação de Santa Rita do Paranaíba em 16 de julho de 1909.
          Antônio Xavier Guimarães, irmão de Guimarães Natal, ligado aos Bulhões, foi para Santa Rita do Paranaíba para exercer o cargo público de Administrador da Recebedoria. Padrinho de casamento de Jacintho Luiz da Silva Brandão, cedeu sua fazenda para reunião de pessoas que participaram do Movimento golpista de 1909 a partir do norte e fez a intermediação política quando da emancipação entre os políticos de Santa Rita do Paranaíba e o então governo golpista que assumiu em 1909.
Outro líder do Movimento de 1909, Eugênio Rodrigues Jardim ao se tornar delegado geral de Polícia de Goiás, nomeou o major  Militão Pereira de Almeida para delegado em Santa Rita do Paranaíba, dando início a um novo ciclo de poder no município emancipado através golpe político de 1909.
          Nas eleições de 1909 a coligação republicana acabou levando ao poder através do Golpe político José Leopoldo de Bulhões para senador federal e Antônio Ramos Caiado, Marcelo Francisco da Silva e Padre Trajano Balduíno como deputados federais, embora não fossem os mais votados. Na mesma eleição para presidente do Estado foi reconhecido o Engenheiro Urbano Coelho de Gouveia que havia perdido as eleições no voto para o bacharel Hermenegildo Lopes de Moraes.
          Na fazenda Quinta de propriedade de Eugênio Rodrigues Jardim, o Movimento golpista foi organizado entre abril e maio para derrubada do presidente eleito, quando mais de mil homens foram arregimentados.
          Os fazendeiros descontentes com a política fiscal do grupo político de José Xavier de Almeida, no poder desde 1901, uniu até aqueles que estavam separados,  como o bacharel e fazendeiro Antônio José Caiado, que  se uniu ao grupo de José Leopoldo de Bulhões Jardim  para ajudar no Movimento golpista de 1909, mesmo tendo sido companheiro do bacharel José Xavier de Almeida em seu governo.
          Até a morte do Presidente Afonso Pena em 14 de junho de 1909 também ajudou no fortalecimento dos Bulhões, pois como amigo de Nilo Peçanha, o vice que se tornou presidente, levou José Leopoldo de Bulhões Jardim a assumir novamente o cargo de Ministro da Fazenda e assim se tornar novamente um dos protagonistas da política em Goiás, pelo menos até 1912, quando será derrotado por outros, até então aliados no golpe político de 1909, como o bacharel Antônio Ramos Caiado.
          Derrubado o grupo político da casa de Dona Francisca Carolina de Nazareth de Moraes, a partir de maio de 1909 começou a gestação da emancipação com a votação no Congresso Goiano e foi concretizada no dia 16 de julho de 1909 pelo então presidente do Estado em Exercício, José da Silva Baptista.


 
3.2  A EMANCIPAÇÃO DE SANTA RITA DO PARANAÍBA

          Até culminar com a emancipação de Santa Rita do Paranaíba, ocorreram várias relações políticas e acontecimentos, que tem inicio  quarenta e seis anos antes, com a chegada de Hermenegildo Lopes de Moraes a Santa Rita do Paranaíba como funcionário público da Recebedoria  em 1863
          A construção da riqueza e da família que deram origem ao poder político exercido por Morrinhos na Primeira República tem seu início no Arraial de Santa Rita do Paranaíba, quando o coronel Hermenegildo possuidor de tropas de burros e de um comércio no povoado consegue abastecer as tropas que iam para a Guerra do Paraguai, período em que também casou-se com Francisca Carolina de Nazareth Moraes, cuja família era de fazendeiros bem sucedidos em Santa Rita do Paranaíba. É ainda em Santa Rita do Paranaíba que nasceu o primogênito de Hermenegildo Lopes de Moraes em 1870 e que irá sucedê-lo na liderança das relações de poder a partir de 1905 com a morte do pai coronel.
          Morrinhos aparece nestas relações de Poder a partir de 1871 quando Hermenegildo Lopes de Moraes muda para o Município que logo se emancipa em1872. Para alguns, o motivo da mudança seria uma doença de Francisca Carolina de Nazareth, mas Hermenegildo sempre antecipava as grandes mudanças e foi para Morrinhos, onde foi o primeiro intendente e consolidou-se como fazendeiro adquirindo mais de 27 fazendas      , consolidando o comércio entre Santa Rita do Paranaíba, Morrinhos, Pouso Alto e outras vilas com o sudeste do Brasil.
É Inicialmente chamada de Vila Bela de Morrinhos em 1845, quando então era   distrito da Vila de Santa Cruz, Morrinhos conseguiu sua primeira emancipação em 05 de novembro de 1855 com a denominação de Vila Bela do Paranaíba e tendo como distrito Santa Rita  do Paranaíba. Após quatro anos, retorna a condição de Distrito de Santa Cruz, tendo sido suprimido sua condição de Vila independente administrativamente. Em 1871 o município é restabelecido com o nome de Vila Bela de Morrinhos e reinstalado em  03 de fevereiro de 1872. No ano de 1882 é elevado a categoria de cidade com o nome de Morrinhos, que prevalece até os dias atuais.
          Nascimentos, casamentos e mortes foram eventos que antecederam os principais embates que resultaram na emancipação de Santa Rita do Paranaíbaem julho de 1909.      
Os nascimentos das  jovens primeiras-damas de Santa Rita do Paranaíba e do Estado de Goiás se deram no início da década de 1880, sendo que  Amélia Augusta de Moraes nasceu em Morrinhos no dia 27 de agosto de 1884 e Messias Alexandrina Marquez  em Santa Rita do Paranaíba no dia 13 de outubro de 1883. A mesma sequência foi observada em relação aos casamentos, sendo que ambas contraíram matrimônio ainda menores de dezoito anos, sendo a primeira em 27 de julho de 1901, quando tinha dezessete anos e a outra em outubro de 1900, com apenas dezesseis anos.
          A morte de Hermenegildo Lopes de Moraes em maio 1905 também é um acontecimento que antecede a emancipação de Santa Rita do Paranaíba e consolida a presença da mulher e herdeira Francisca Cândida de Nazareth Moraes, cuidando dos netos e dos bens.
Assim como a morte do presidente Afonso Pena em junho de 1909 que também influenciou a emancipação de Santa Rita do Paranaíba, fato que possibilitou mais poder a José Leopoldo de Bulhões que voltou a ser Ministro da Fazenda do sucessor Nilo Peçanha.
Enfim, as relações de poder que levaram a emancipação de Santa Rita do Paranaíba e que se deram através de nascimentos, casamentos e mortes, estiveram sempre ligadas a uma série de processos políticos que vão desde a eleição de José Xavier de Almeida em 1901 para presidente do Estado, ao seu rompimento com Leopoldo de Bulhões em 1904 e que levou ao pedido de intervenção por Leopoldo de Bulhões em 1905. Passou pelas vitórias de José Xavier de Almeida que homologou as eleições de 1904, mas que começou a se inverter em 1908, ocasião que o grupo de José Leopoldo de Bulhões fez a maioria de deputados e senadores, condição que levaria a não reconhecer as eleições para deputados federais, senador e presidente do Estado para 1909, que dão origem ao Movimento de 1909 e que tem como primeiro resultado a emancipação de Santa Rita do Paranaíba.
            A imagem que se tem do sul de Goiás no início do século XX  é de um carência geral de seus moradores, diferenciando-se em poucas coisas os homens que tinham comércio e cargos públicos, em especial os coletores que trabalhavam nas recebedorias fiscais de Santa Rita do Paranaíba.
            O quadro da vida, das casas, das vestimentas e da própria alimentação, narrado por (FRANCO, 1997 p. 119 ) onde predominava moradias simples e a alimentação a base de feijão preto, farinha de mandioca e um pedacinho de carne salgada ou toucinho para todos os moradores.
            O texto permite refletir também sobre a promiscuidade que se dá na mistura  do patrimônio estatal com a propriedade privada,  fato que pode ter sido a base do enriquecimento das principais lideranças da região no período pesquisado.
            Uma das características marcantes da região é o seu destaque como posto de fiscalização do Estado, em um período em que se travou um grande arrocho fiscal provocado pelo grupo dominante do período no Estado, que estava bastante ligado a cidade de Morrinhos, cidade mãe de Santa Rita do Paranaíba, que teve sua fundação ligada a um porto e criação  do Aparelho Tributário no período anterior a República, por volta de 1834, quando se consolidava a primeira organização fiscal do Brasil Independente de Portugal.
            As atividades comerciais predominantes no período estavam ligadas a pecuária e em especial ao comércio, que eram as principais fontes de tributação na região.
            Relacionando a cidade pesquisada, é possível imaginar  a mistura que se fazia através de uma administração pública deficiente, com funcionários desqualificados, que misturava o público com o privado e que estava mais sujeito ao controle dos costumes locais e do mando de seus coronéis, do que aos regulamentos tributários, como pode ser notado nos embates entre o Ministério Público e coletores públicos que faziam uso particular dos recursos arrecadados dos impostos.
            Com a ausência do Estado, uma justiça sem poder e dominada pelas autoridades locais, municípios pobres e sem fonte de recursos, vai se constituir em um local perfeito para o domínio dos coronéis e seu fortalecimento, que pode ter ocorrido com o coronel. Hermenegildo Lopes de Moraes, que fez fortuna com a Guerra do Paraguai e ocupou cargos públicos, chegando no início do século XX com condições  de fazer aliança com os governos devido sua situação econômica abastarda.
            O período de emancipação  mostra um Estado com estruturas arcaicas, com os grupos dominantes dos coronéis detendo os meios de administração na nomeação de delegados, coletores e outras autoridades, proporciona um desencontro entre as aspirações dos cidadãos e o Estado de provê-las.
            As cidades  não tem recursos para investimentos menores como cuidar de suas ruas, ocorrendo em muitos casos o investimento privado com posterior indenização do Estado, quando era possível e assim vai se institucionalizando o poder dos coronéis nas cidades.
            Cabe aos que tem recursos econômicos, como os fazendeiros e comerciantes, exercerem funções do Estado ausente, como as policiais e judiciárias, que faz através de capangas, já que não eram supridos por pessoas especializadas.
            É dentro deste quadro de pobreza do poder publico local, uso do aparelho do governo como propriedade privada e dominação pessoal sem separação do público com o privado é que o grupo de coronéis locais ligados aos presidentes da província que vai ocorrer a emancipação de Santa Rita do Paranaíba.
            É a imagem de uma cidade que vai ter dono por muitos anos, desde sua fundação, onde o coletor, o delegado, o conselho de Intendência e a própria intendência vão ser uma extensão das famílias de comerciantes locais, que vai ocorrer pela escassez de funcionários qualificados e ausência do exercício despersonalizado das funções públicas, com o grupo dominante utilizando o aparelho estatal para atingir interesses particulares.
            A formação dos Coronéis de Santa Rita do Paranaíba a partir da Primeira República pode ser vislumbrada nas obras “Os donos do Poder” (FAORO, 1989), assim como funcionava o sistema eleitoral, baseado na política dos governadores que sustenta todo o período.
            Nas palavras de Rui Barbosa Apud (FAORO, 1989, p.569), “substitui-se os principais interesses, o povo pelas facções e os Estados pelos seus governos.”
            A política dos governadores  tinha como características o apoio dos presidentes dos Estados ao Governo Federal, recebendo poderes e privilégios,  que por sua vez formava suas bases nos municípios que deviam obediência aos coronéis que governavam o Estado. Enquanto fossem aliados, poderiam utilizar as estruturas no Estado no exercício dos poderes locais.
            Verifica-se na Primeira República uma pequena participação política da população, como se observa nos números apresentados  entre 1870 e 1890, quando o percentual de votantes no período variava de 2,3% a 3.4% da população, que girava em torno de 10 milhões em 1872 e que atingiu 14 milhões em 1889, sendo que apenas 24% morava na zona urbana.
            A Republica Velha, período que nasce Santa Rita do Paranaíba caracteriza pela pouca participação da população na vida política, que era para poucos, decorrente pelo sistema eleitoral altamente restritivo, com uma população pouco alfabetizada, contando com cerca de 14,8% por volta de 1890, e um sistema eleitoral viciado que dava sustentação a política dos governadores e afirmação do coronelismo.
            O sistema eleitoral permitia a qualificação dos eleitores que eram feita pelos coronéis ou por seus indicados, assim como a tomada e apuração dos votos, tendo o presidente do conselho de intendência ou o intendente municipal a supremacia do controle, ás vezes feitos nas próprias casas das autoridades.
            Era utilizada um forma de controle que ficava na mão do coronel do Estado e para o comando eleitoral ser efetivo, o sistema deveria ser estrangulado no município e tudo isso era garantido pelas milícias estaduais e por instrumentos financeiros.
            Prevalecia o sistema de partido único, do presidente da província ao coronel no município, e as despesas eleitorais locais cabiam ao coronel local, que em troca tinha os empregos na sua região, que seriam ocupados por pessoas indicadas por ele. É um sistema de reciprocidade, onde o Estado dá os empregos, os favores, tendo a força policial através de seus capangas, nomeando o delegado, o coletor de impostos, o juiz, o promotor e prevalecendo os laços de amizade e compadrio.
            A obra de (FAORO, 1989),  permite entender a figura do coronel que assume o poder local, onde alguns receberam o nome da antiga Guarda Nacional criada em 1831 e que recaiu também sobre pessoas detentoras de riquezas que podiam comprar as patentes.
            O Coronelismo penetra de tal maneira nas atividades políticas, constituindo no primeiro degrau desta estrutura. Ele não manda só porque tem a riqueza, mas há pela população um reconhecimento de seu poder, sem necessidade de um pacto escrito. É um poder que se consolida com o aliciamento e do preparo de seus eleitores e no amplo número de cargos locais que terá a sua disposição para fazer suas indicações.
            A política dos governadores e seu criador, Campos Sales aconselhando aos presidentes dos Estados a dissolverem as câmaras municipais e nomear os intendentes, são reflexões tratadas por (FAORO, 1989),  que permite entender os primeiros embates e arranjos que ocorrem em Santa Rita do Paranaíba. É a política que atrelará os chefes políticos ao governo estadual, atrofiando os núcleos locais, como ocorreu com Santa Rita do Paranaíba.

            Pelo menos três capítulos de “Raízes do Brasil” (HOLANDA,), ajudam a entender o contexto do início da República no Sul de Goiás, como por exemplo, as características do personalismo das pessoas que vão exercer o poder.
            Destaca-se, por exemplo, no estudo da obra, o capítulo que trata da emancipação da cidade como instrumento de dominação, além de tratar dos aspectos urbanísticos da formação das cidades, da influência ibérica na construção de praças e ruas.
            A leitura também permite entender como se deu o patrimonialismo, decorrente da promíscua mistura dos bens públicos com os particulares, notadamente na figura dos coletores de impostos na Recebedoria na divisa do Estado.
            Nos capítulos estudados é possível entender o uso do poder político como extensão da família e o Coronel Sidney Pereira de Almeida é fruto desta construção política, havendo historicamente uma mistura do particular com os bens do Estado.
            Nesta obra tem-se os fundamentos do sistema coronelista que já está imposto desde a fundação da cidade e manifesta-se com intensidade em sua emancipação, prevalecendo  as escolhas e indicações de cargos públicos de acordo com a confiança e o compadrio e não com a capacidade dos escolhidos.
            As oligarquias que nascem no século XIX, o jeito personalista de governar e a própria impregnação do coronelismo como forma de governo vem  dos tempos da fundação da cidade.
            O capítulo que trata de trabalhadores e aventureiros permite uma reflexão sobre as origens da população que formaria a cidade de Santa Rita do Paranaíba, onde prevalecia o comércio e a pecuária. No trabalho percebe-se as raízes dos trabalhadores que se dá através de aventureiros que vieram em maior parte de Minas Gerais e dos próprios coronéis que vão governar a cidade em seus primeiros anos de existência.
            Enfim, esta obra permite refletir sobre o urbano e o rural no período de emancipação, o funcionamento do poder público nas mãos dos coronéis, a emancipação da cidade como instrumento de dominação e um povo constituído por aventureiros assentados em sua maioria na zona rural e os poucos que habitavam o centro urbano, numa cidade com forte influência ibérica na sua arquitetura, com uma praça central, duas grandes ruas em duas direções e uma Igreja em sua parte central. Estas são as raízes desta cidade do interior do Estado de Goiás, com seu povo, seus costumes, seus governantes e suas práticas políticas.
O primeiro documento localizado no primeiro ofício da cidade de Goiás e que trata de Santa Rita do Paranaíba descreve a arrematação do Porto da Fazenda Nacional por Cândido Rodrigues de Paiva em 1835 que fazia parte de uma estrada nova construída até Uberaba-MG (FERREIRA e PINHEIRO, 2009, p.23).
Inicialmente o Distrito do Arraial de Santa Rita do Paranaíba foi criado como parte da Vila de Santa Cruz em 1849, perdurando esta situação até 1855, quando então passa a pertencer a Morrinhos, que na época se denominava Vila Bela do Paranaíba. De 1859 quando é suprimida Vila Bela do Paranaíba até 1871 quando novamente ocorre a emancipação de Vila Bela de Morrinhos, Santa Rita do Paranaíba fez parte da Vila de Santa Cruz (FERREIRA e PINHEIRO, 2009, p. 25-29).
Nas relações de poder em Santa Rita do Paranaíba, destacam-se Jacintho Luiz da Silva Brandão, casado com Messias Alexandrina Marquez em 1900 e que não teve nenhum filho; Major Militão Pereira de Almeida, casado pela primeira vez com Ermelinda Borges de Almeida em 1883, tendo 10 filhos, sendo o primeiro o coronel Sidney Pereira de Almeida.  Viúvo em 1903, Major Militão casou-se pela segunda vez em 1905 com Laudelina Mendes de Almeida, com quem teve 9 filhos. Filho de Major Militão, o Coronel Sidney Pereira de Almeida casou-se em 1909 com Maria Clarinda Cotrim, com quem teve 6 filhos.
Qual a relação de Messias Alexandrina Marquez, Laudelina Mendes de Almeida e Maria Clarinda Cotrim com a emancipação de Santa Rita do Paranaíba? São as mulheres presentes na vida privada dos homens que faziam política  quando da emancipação de Santa Rita do Paranaíba e depois nos primeiros anos da Vila emancipada.
Como Villa Bela de Morrinhos exercia um poder político na região sul do estado de Goiás, desde 1895, quando Hermenegildo Lopes de Moraes era vice-presidente do Estado, até 1905 com sua morte, e após este período, o poder continuou a ser exercido por José Xavier de Almeida, genro de Hermenegildo Lopes de Moraes, ex-presidente do Estado e deputado federal em exercício, entrava na cena política outro filho de Hermenegildo Lopes, também deputado federal e homônimo do pai,  Santa Rita do Paranaíba não tinha nenhuma esperança de emancipação.
          O principal líder local, Jacintho Luiz da Silva Brandão era do grupo de Morrinhos, tanto é que assumia os principais postos no Arraial de Santa Rita do Paranaíba, como Administrador da Recebedoria.
          Como principal oponente de Jacintho Luiz da Silva Brandão, apareceu a figura do coronel  Sidney Pereira de Almeida, filho do maior comerciante do Arraial em 1909.
          O sistema político local, tinha no comando o Intendente geral, que era figura escolhida pelo presidente do Estado. O poder Legislativo, escolhido pelo povo, era o conselho Municipal de Intendência.
Nos primeiros anos de governo, os membros do primeiro Conselho Municipal vão se revezar no poder como intendentes, ora aderindo aos Bulhões que mandavam no Estado, quando da emancipação e depois com o alinhamento do grupo de Sidney Pereira de Almeida com os Caiado, até 1927.
A Lei de emancipação é o principal documento que corrobora a hipótese de que a emancipação de Santa Rita do Paranaíba foi o primeiro ato grupo dos Bulhões, que assumiu o governo do Estado de Goiás a partir do Movimento de 1909, no mês de maio, quando o poder foi passado ao primeiro vice-presidente e após ao segundo vice-presidente, que sancionou a Lei de emancipação de Santa Rita do Paranaíba em Julho de 1909.
          Da publicação da Lei de emancipação á efetiva instalação do município levaram cerca de dois meses. No mês de setembro, foi nomeado o Conselho Municipal Provisório, tendo Jacintho luiz da Silva Brandão escolhido presidente provisório e a missão também de governar o município até a escolha do Intendente Geral que ocorreu em dezembro de 1909.
Existiam cercam de 83 estabelecimentos comerciais, figurando como maior, segunda pagamento de impostos, o comerciante Jacintho Luiz da Silva Brandão, com sete unidades e pagamento de 360$000 réis (FERREIRA e PINHEIRO, 2009)
Havia uma escola com cerca de sessenta alunos. Enquanto o chefe político de Morrinhos mandou os filhos para estudar em São Paulo, os filhos da família de Militão estudavam em Santa Rita do Paranaíba. Mas os primeiros anos iniciais das filhas de Francisca foram feitas na escola da Vila de Morrinhos, conforme aparece na relação de alunas matriculadas por volta de 1873.
Enquanto as crianças da Família de Francisca Carolina de Nazareth de Moraes estudavam e viajavam, as crianças das famílias que moravam na zona rural viviam do pastoreio e de vigiar plantações. (FERREIRA e PINHEIRO, 2009, p 117)
O então Arraial de Santa Rita do Paranaíba se destacava por algumas casas comerciais e a família de Major Militão Pereira de Almeida era o segundo maior comerciante com dois estabelecimentos, enquanto o filho de Francisca Carolina de Nazareth de Moraes, o Major Galdino da Silveira Marquez também tinha comércio no Arraial. No ano da emancipação em 1909 a família de Major Militão era a maior pagadora de impostos no então Arraial de Santa Rita do Paranaíba.
O ano de 1909 vai marcar o aparecimento da família do coronel Sidney Pereira de Almeida e o afastamento do coronel Jacintho Luiz da Silva Brandão, então aliado da família de Francisca Carolina de Nazareth Moraes. O que segurou alguns dias a presença de Jacintho Brandão na política da emancipada Santa Rita do Paranaíba foi a presença de Antônio Xavier Guimarães, padrinho de casamento e aliado do grupo vencedor do golpe político de 1909.
                     O Arraial de Santa Rita do Paranaíba começou com um Porto e uma Estrada, cresceu com a família de Francisca Carolina de Nazareth Moraes, emancipou-se com o golpe político de 1909 em Goiás e tem na Ponte Afonso Pena o símbolo deste momento que marcou a passagem da família pela política de Goiás como protagonistas das relações de poder que coloram a região sul em evidência.











Ex-Ministro da Fazenda Leopoldo Bulhões

José Xavier de Almeida - ex-governador

Hermenegildo Lopes de Morais e esposa - Primeiro senador nascido em Santa Rita do Paranaíba

 Antônio Ramos Caiado - Totó Caiado


Fonte: FREIRE, N.S. O CASAMENTO, EMBATES E ARRANJOS POLÍTICOS EM GOIÁS: uma abordagem   das relações de Poder na perspectiva de Gênero. Editora Kelps, 2015

MORRE CONSELHEIRO FRANCISCO CARNEIRO E SIDNEY PEREIRA DE ALMEIDA ENTRA NA POLÍTICA DE SANTA RITA DO PARANAÍBA

1909 - MORREU NO INÍCIO DE OUTUBRO O CONSELHEIRO PROVISÓRIO FRANCISCO CARNEIRO DE CASTRO E PRESIDENTE DO ESTADO NOMEIA SIDNEY PEREIRA DE ALMEIDA A TRÊS DIAS DA INSTALAÇÃO DO MUNICÍPIO
  Conselheiro da Intendência Provisória Sidney Pereira de Almeida ao lado da esposa Maria Clarinda Cotrim

A três dias da instalação do Município de Santa Rita do Paranaíba que vai acontecer no dia 12 de outubro, devido ao falecimento do conselheiro Francisco Carneiro de Castro, o presidente do Estado Urbano Coelho de Gouvea (figura correspondente a governador) nomeou o cidadão Sidney Pereira de Almeida para a vaga no Conselho Provisório de Intendência, que vai instalar o município e que conta com sete membros. Sidney que nasceu em Brejo Alegre (Araguari) em 1884, tem 25 anos e chegou a Santa Rita do Paranaíba por volta de 1907, com seu pai Militão Pereira de Almeida, onde constituíram dois estabelecimentos comerciais na Rua do Comércio e se tornaram em 1909, os maiores pagadores de impostos do futuro município, desbancando Jacintho Brandão que ocupava esta posição em 1908. A empresa de Militão e Filhos trabalha com o comércio de fazendas, ferragens e roupas.
Com a mudança do governo goiano em julho de 1909, Militão Pereira de Almeida, um baiano que tem 19 filhos, passou parte de sua vida entre Araxá, Araguari e Tupaciguara, onde casou-se em 1883 e ficou viúvo em 1903 e se casou novamente, veio para Santa Rita do Paranaíba em 1907 e se tornou um dos maiores comerciantes entre os 83 que existem no então Distrito. No novo município deverá ser nomeado Delegado Chefe para cuidar da segurança pela proximidade com Eugênio Jardim que faz parte do novo governo.

A ficha do nomeado por Urbano Coelho de Gouvea
CORONEL SIDNEY PEREIRA DE ALMEIDA


Sidney Pereira de Almeida: nasceu em Brejo Alegre ( Araguari) em 03 de agosto de 1884 e passou a infância em Abadia do  Bonsucesso (Tupaciguara), filho do Major Militão Pereira de Almeida e Ermelinda Borges de Almeida. Veio para Santa Rita do Paranahyba por volta de  1907, com 23 anos. Foi nomeado Conselheiro provisório aos 25 anos em outubro de 1909 e foi eleito em novembro de 1911 Intendente aos 27 anos. Casou-se em 1911 com Maria Clarinda Cotrim, filha do Major Rogério Prates Cotrim e Maria Clara Holagray Prates Cotrim e teve seis filhos.

O pai de Sidney Pereira de Almeida
MILITÃO PEREIRA DE ALMEIDA 
Baiano de Rio Branco,  nasceu em 10/03/1856.  Tem 53 anos  na emancipação de Santa Rita  - Casou-se em 1883 com Ermelinda Borges de Almeida em Tupaciguara  aos 27 anos e teve dez filhos, entre eles, Sidney Pereira de Almeida, o primogênito  e Rui Pereira de Almeida.
Ficou viúvo em 1903 aos 47 anos em Tupaciguara, quando casou-se pela segunda vez com Laudelina Mendes de Almeida e teve mais nove filhos. Passou por Araxá, Araguari e Tupaciguara, antes de se firmar em Santa Rita do Paranaíba como maior comerciante. Foi delegado aos 53 anos e intendente em 1919, aos 63 anos.

Negociante de fazenda, ferragens e roupas

Decreto  2.527, de 4 de outubro de 1909
                      Nomeia o cidadão Sidney Pereira de Almeida para o cargo de membro da   Intendência Provisória do município de Santa Rita do Paranaíba, na vaga     aberta em consequência do falecimento do cidadão Francisco Carneiro de  Castro.

                       Semanario Oficial – ANO XII – 9 de outubro de 1909 n. 481


Adaptação das fontes:

ALMEIDA NETO, Sidney Pereira de. Itumbiara, Um século e meio de História. Itumbiara: Ed. do autor. 1997.
FREIRE, N.S. Nas Barrancas de Santa Rita do Paranahyba – jogos do poder de 1830-2011. Goiânia: Kelps, 2011.

FERREIRA, Josmar Divino e PINHEIRO, Antônio César Caldas. Santa Rita do Paranahyba: origem e desenvolvimento. História de Itumbiara. .v. 1 – Itumbiara, Edição Independente, 2009.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

MARECHAL CUNHA MATTOS NEGA CRIAÇÃO DE ESTRADA EM SANTA RITA DO PARANAÍBA NO ANO DE 1824

EM ENTREVISTA AO DIÁRIO DE ITUMBIARA, O GENERAL DISSE QUE EM 1824 NEM ERA DEPUTADO PROVINCIAL. A ELE É ATRIBUÍDA CRIAÇÃO DE ESTRADA QUE DEU ORIGEM A SANTA RITA DO PARANAÍBA
                                           Marechal Raimundo José da Cunha Matos




Declarado como fundador de Santa Rita do Paranaíba,  foi atribuído ao Marechal Cunha Mattos  quando governador das Armas em Goiás,  a sugestão da criação de uma estrada no sul do estado, que nasceria em Uberaba e chegaria até Anicuns. Por volta de 1830, na divisa de Goiás com Minas Gerais, foi criado um porto pelo governo imperial e a partir dele, teria começado já antes em 1824, o povoado de Santa Rita do Paranaíba, que teria crescido a partir desta estrada, que na época ligava ao sertão da Farinha Podre, hoje Triângulo mineiro a Goiás. Era ainda por picadas. Como o General,  só foi deputado provincial a partir de 1825, o Diário entrevistou Cunha Mattos para esclarecer sobre o assunto:

Diário de Itumbiara - Documentos do IBGE, a bandeira de Itumbiara, o brasão e em relatos históricos da cidade, colocam o senhor como criador de uma estrada que passava por Santa Rita do Paranaíba em 1824 e então originou a cidade. É verdade esta criação em 1824?

Marechal Cunha Mattos - Fui nomeado governador das armas em Goiás no ano de 1823 e cheguei a capital goiana em 15 de julho. Foram dois meses de viagem com uma tropa com meus auxiliares e alguns escravos. A função de governador de armas foi criada em 1821, pois havia uma separação entre o governo civil na província que tinha uma junta de governo e o militar, que era feito por meio do governador das armas. Eu cuidava da ordem da disciplina e da execução da justiça. A situação na província não estava tranquila, pois parte do Norte criou um governo separado, enquanto o Sul era governado pela Junta Civil. No dia seguinte a minha chegada, tomei posse no Palácio Conde dos Arcos como governador das armas. Não foi fácil nos primeiros três anos o convívio com o governo civil. Já em agosto de 1823 arregimentei uma tropa para ir combater no Norte do Estado, que teria formado um grupo contra o governo imperial. No dia 20 de setembro de 1823, depois de muitas discussões com a Junta Civil, parti com uma tropa rumo ao Norte de Goiás. Como as coisas se tranquilizaram no Norte, aproveitei para começar um estudo sobre a comunicação dentro das regiões e a estudar estradas para Goiás a partir desta viagem para o Norte. A partir de 20 de outubro de 1823, a Assembleia Constituinte determinou a criação de um governo para cada província e Goiás não seria mais comandado pela Junta Civil. Eu fiquei sabendo desta lei só em fevereiro de 1824, quando estava em Cavalcante. Só em setembro de 1824, a junta civil foi substituída pelo governado Caetano Maria Lopes Gama. Continuava muito ruim o relacionamento entre o chefe militar e o governo civil Lopes Gama. Em fevereiro, o governo da Província ainda queria saber qual era o papel do governador das armas em Goiás. A situação continuava feia. A coisa só mudou para melhor, quando meu nome foi aceito em fevereiro de 1825 para ser deputado provincial por Goiás, que tinha duas vagas no império. Então, em 1824, eu não tinha passado perto do Sul de Goiás. Fiquei preocupado com o Norte e com as desavenças com o governo civil

Diário de Itumbiara - Então o senhor poderia ter sugerido a criação da estrada em 1825?

Marechal - Voltei para o Rio de Janeiro em abril de 1825 e a primeira reunião seria em maio, mas quando cheguei na capital do Império me avisaram que naquele ano não teriam reunião da Assembleia provincial. Logo, também não foi em 1825. Mas esta viagem em 1825 foi boa, pois pedi uma promoção e voltei para Goiás com o titulo de Brigadeiro efetivo do Exército Brasileiro. Falei para meus chefes de meus trabalhos anteriores em Goiás como Geógrafo, historiador... e fui recompensado. Se tem uma obra que ajudei, foi na criação do Hospital da Misericórdia em Goiás. Mas os problemas com Lopes Gama voltaram novamente em Junho de 1825. Em minha carta ao Conselho de Governo da Província em 27 de setembro de 1825, relatei a situação caótica de Goiás, com um povo preguiçoso, atrasado... O governador ficou uma fera comigo. No ano anterior em 1824, eu tinha escrito o livro Compêndio Histórico de Goiás e relatava este atraso. Lopes Gama não gostou. Em 1826, voltei para o Rio de Janeiro e fui reeleito para novo mandato de deputado provincial por Goiás entre 1830 e 1833. Então, entre 1823 e 1826, não sugeri nada de criar estrada passando pelo Porto de Santa Rita do Paranaíba. O governador da província não se dava bem comigo.

Diário de Itumbiara - Pode ser então que a partir de 1826, quando o senhor volta para o Rio de Janeiro e assume o mandato de deputado e depois reeleito em 1830, pode ter sugerido a criação de tal estrada do Sul, ligando Uberaba a Anicuns em Goiás?

Pode ser, mas como já faz muito tempo e eu não escrevi esta parte em minhas obras, não tenho certeza. Mas se alguém falou que criei esta estrada, deixa assim. Só tenho certeza que não foi em 1824, porque nem deputado eu era.

Adaptação
Da obra de Neuma Brilhante Rodrigues
Tese de doutorado pela UNB - 2008
Nos caminhos do Império: Trajetória de Raimundo José da Cunha Mattos


A CRIAÇÃO DA ESTRADA POR VOLTA DE 1830
Padre Florentino Bermejo

"I - A cidade de Santa Rita do Paranahyba é situada á margem direita do Rio Paranahyba que a separa do estado de Minas Gerais é banhada pelos córregos das pombas, da Trindade e da água Suja.
No ano de 1824 foi por estas paragens passou o primeiro ser humano civilizado Antônio José Leite embarcou no Rio dos Bois, perto da capital de Goyaz, descendo até a sua foz no Paranahyba, subio por Esse em viagem de exploração, tocando no local onde se acha hoje situada esta florescente cidade.
Em 1830 o deputado Cunha Mattos repr
esentado Goyaz na Camara Federal propôs que o governo fizesse abrir uma estrada que partindo da Farinha Podre (hoje Uberaba) em Minas, viesse em direção a Anicuns, Goyaz, atravessando o Paranahyba entre as emborcaduras dos Rios Corumbá e Meia Ponte no ponto mais conveniente. O governo imperial mandou abrir a referida estrada e o porto escolhido na passagem do Paranahyba, foi justamente onde se acha colocada a cidade de Santa Rita, por esta estrada transitaram forças imperiais com demanda o Theatro da Guerra do Brasil com o Paraguai (1865 a 1870)."

A versão da fundação a partir desta estrada e do ano de 1824, poderia ter sido criado pelo jornalista Moisés Augusto de Santana, que esteve em Santa Rita do Paranaíba entre 1918 e 1920 e tinha uma revista chamada "Paranaíba" - Revista de Letras, artes, ciências, Economia e jurisprudência. Ele teria servido de fonte para o IBGE registrar a versão de fundação de Santa Rita do Paranaíba a partir desta estrada construída pelo governo imperial.

Marechal Cunha Matos nasceu em 02 de novembro de 1776
faleceu no Rio de Janeiro em 1839
Autor do Livro: Mapa Itinerário de Raimundo José da Cunha Mattos desde o Rio de Janeiro até os confins da província de Goiás, com os do Pará, Maranhão, Piauí, Mato Grosso, São Paulo, Pernambuco e Minas Gerais.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

PRESIDENTE DO ESTADO MARCA INSTALAÇÃO DA VILA DE SANTA RITA PARA 12 DE OUTUBRO

URBANO GOUVEA NOMEIA JACINTHO BRANDÃO E MARCA PARA 12 DE OUTUBRO A INSTALAÇÃO DE SANTA RITA DO PARANAÍBA

Vila de Santa Rita do Paranaíba - instalação vai acontecer em 12 de outubro

O presidente do Estado de Goiás (figura correspondente a governador nos dias atuais), nomeou no dia 18 de setembro a Comissão de Intendência (correspondente a Câmara Municipal) que vai instalar o município de Santa Rita do Paranaíba, que foi emancipado de Morrinhos no último dia 16 de julho. A solenidade deve ocorrer as 12 horas do próximo dia 12 de outubro. Depois de ser Distrito de Santa Cruz de Goiás até 1855 e de Morrinhos entre 1855 e 1859, voltou a ser distrito de Santa Cruz de Goiás até 1869, quando por dois anos se tornou distrito de Pouso Alto (Piracanjuba), em 1871, Santa Rita do Paranaíba voltou a ser distrito de Morrinhos até 1909, quando do golpe no governo goiano promovido pelo grupo de Leopoldo Bulhões derrubou os políticos de Morrinhos que eram liderados por José Xavier de Almeida e Hermenegildo Lopes de Morais Filho.
JACINTHO BRANDÃO - PRESIDENTE DA INTENDÊNCIA

No mesmo Decreto que marcou o dia de Instalação de Santa Rita do Paranaíba, foi  nomeada a Comissão de Intendência que vai comandar o município até o dia 16 de dezembro, quando haverá eleições para escolher o Intendente (prefeito nos dias atuais) e o Conselho Municipal de Intendência (Câmara de Vereadores nos dias atuais). Jacintho Brandão que é filho de padre e natural de Itaberaí, vai comandar como presidente o ato de instalação de Santa Rita do Paranaíba. Ele veio para Santa Rita por volta de 1880 para trabalhar na Estação Fiscal e se casou em 1900 com Messias Alexandrina Marques, então com 16 anos. Pertencente ao grupo político de Morrinhos, Jacintho Brandão tinha boas relações também o grupo de Leopoldo de Bulhões que chegara ao poder com o golpe político de 1909.
    Jacintho Brandão vai comandar a instalação do Município



Decreto 2518 de 18 de setembro de 1909
                       O Presidente do Estado, considerando que, pela Lei 349, de 16 de julho  findo, foi o distrito de Santa Rita do Paranaíba elevado a município.                                        
DECRETA:
                       Art. 1 – Fica nomeada uma Intendência composta dos cidadãos coronel                          Jacintho Brandão, capitão Joaquim Thimóteo de Paula, Antônio Joaquim da Silva, Francisco Carneiro de Castro, Joaquim Firmo de Velasco,                        Olegário Herculano de Aquino e Josino Antônio de Gusmão, o primeiro                                      como presidente e os demais como membros, para instalar o município                       de Santa Rita do Paranaíba e administra-lo provisoriamente.
                        § único. O presidente e os membros da Intendência prestação o                                              compromisso de seus cargos e exercerão as suas funções e, de acordo                            com a Lei n. 129, de 23 de junho de 1897;
 Art. 2 – É designado o dia 12 de outubro, para ter lugar a instalação do                                  município e o dia 16 de dezembro, tudo do corrente ano,  a fim de se                                       proceder a eleição de intendente, vice-intendentes e conselheiros                                            municipais.
                       Art. 3 – Revogam-se as disposições em contrário.
                        O Secretário do Interior, Justiça e Segurança Pública expeça as                                       necessárias   comunicações.
                       Palácio da Presidência do Estado de Goiás, 18 de setembro de 1909. 21º da                            República.
                       Urbano Coelho de Gouvea.

                        Semanário Oficial, 25 de setembro de 1909. Número 479


A LEI DE EMANCIPAÇÃO
Lei 349 de julho de 1909 - o Arrayal de Santa Rita do Paranahyba foi elevado a Villa. (FERREIRA e PINHEIRO, 2009, p 31)

Autógrafo de Lei nº 12
       CONGRESSO LEGISLATIVO DO ESTADO DE GOIÁS
O Arraial de Santa Rita do Paranaíba foi elevado à categoria de Villa
       Art. 1º -  Fica elevada à categoria de Villa, o Arrayal de Santa Rita do Paranahyba, constituindo município autônomo com as atuais linhas de seu território.
       Art. 2º - A Villa será instalada tão logo seus habitantes provem estarem preenchidas as condições essenciais de que acata a Lei Orgânica dos Municípios sob nº 205 de 7 de agosto de 1908.
       Art. 3º - Revogão-se as disposições em contrário.
Paço do Senado do Estado de Goiás, 15 de julho de 1909.
       Joaquim Ruffino Ramos Jubé
       Luiz Medeiros – 1º secretário
       Sanciono. Publique-se
       Goyas, 16 de julho de 1909

       José  da Silva Baptista (Presidente do Estado em exercício)




quinta-feira, 18 de maio de 2017

O VOLANTE GEISON QUE VEIO DO AVENIDA É MAIS UM REFORÇO DO ITUMBIARA PARA SÉRIE D

NOME DO JOGADOR FOI PUBLICADO HOJE NO BID
    Volante Geison que atuou por Riograndense e Avenida nas divisões do Acesso do Gaúcho - foto Bruno Tech - Esporte Sul

O Time do Itumbiara ganhou mais um reforço para o meio campo nesta semana para a disputa da série D do Campeonato Brasileiro de 2017. Foi publicado hoje o nome do atleta que ganha condições para estreia domingo no JK contra o Audax.
Quando atuou no Riograndense RS, onde foi revelação, foi assim descrita as suas características:
Dono de um ótimo preparo físico, o volante se destaca pela forte marcação e também pela qualidade e poder ofensivo para aparecer como homem surpresa no ataque.
– O Geison se destacou muito no Riograndense este ano jogando ao lado do Gudi. É um jogador que está no perfil traçado pelo clube, com perfil vencedor e identificado com o Periquito. É um atleta polivalente, tem muita qualidade técnica, marca muito forte e apesar de jovem tem muita experiência, não enfrenta dificuldade em partida alguma. – Afirma Feliciano Corrêa, gerente de futebol do Riograndense. (Fonte: Esporte Sul)
Este é o terceiro reforço com nome publicado no BID após o campeonato Goiano, já que nesta semana foram regularizados o atacante Jones e o zagueiro Jorge Miguel.

Ficha do jogador:
Geison Fernando dos Santos
24 anos - 28/08/1992
Natural de Riograndense RS
último clube: Avenida
Posição: Meia/volante

quarta-feira, 17 de maio de 2017

COM TIME MAIS MODESTO, ITUMBIARA RETOMA SONHO DE ACESSO NO BRASILEIRO SÉRIE D 2017

EM 2011, O GIGANTE FEZ UM TIME PARA SUBIR NO GOIANO E NO BRASILEIRO, MAS PAROU NO TUPI DE JUIZ DE FORA
                                Gilmar, artilheiro do campeonato goiano 2017, é o principal nome do Itumbiara

Em 2011, foi montada uma equipe para alcançar até o ano de 2016 a série B do Brasileiro, projeto idealizado pelo então prefeito de Itumbiara e maior incentivador do time na cidade. Depois de conquistar o terceiro lugar em 2007 e 2009 no campeonato goiano, ser campeão em 2008 e disputar a copa do Brasil em 2009, Zé Gomes ajudou a montar um time grande para já em 2011 subir para a Primeira Divisão do Goiano em 2012 (havia caído em 2010) e também subir para a série C e até dois anos e série B em mais dois anos.  O time começou mal a competição e perdeu em casa para o Tupi MG, que seria então o campeão da competição naquele ano e conseguiria anos depois conquistar o sonho que o Gigante não conseguiu, que foi chegar a série B. O tropeço final do time que depois se recuperou e chegou a disputar a vaga em Juiz de Fora, e estava conquistando quando se aproximava o final da partida, parou em um chapéu mal sucedido que o volante Bruno Sabino tentou aplicar. O Tupi avançou e o Itumbiara dependia de um jogo entre Anapolina e Tocantinópolis para ainda alcançar a vaga. Deu confusão naquele jogo e no tapetão a Anapolina levou a vaga.
Seis anos depois e agora sem Zé Gomes, permanece o sonho, mas a equipe comparada a de 2011, é modesta. Naquele ano tinha Cleber que está no Santos e Cristian que foi campeão pelo Ituano, além do goleiro Sérgio, do lateral direito Dida e do meia Washington, hoje na Aparecidense. Hoje, o elenco tem 22 jogadores e mais dois deverão ter os nomes publicados no BID da CBF esta semana e assim ganhar condições para estreiar contra o Audax de Osasco no domingo as 16 horas no JK. O time comandado pelo técnico Luizinho Vieira, que ainda não venceu neste ano em jogos oficiais no JK e foi o sexto colocado no Goiano, tem como estrela o atacante Gilmar, que foi artilheiro com 8 gols no Goianão 2017 e considerado um dos melhores meias da competição, apesar de na verdade, jogar como atacante de lado. A base é a mesma do goiano, com algumas modificações. O goleiro é Rodrigo Calaça, que está no elenco desde 2014, Rodrigo Dias que ainda não teve o nome publicado no BID briga pela posição com Douglas e ainda tem na disputa Alex Santos. A Zaga tem como titular André Ribeiro e Jorge Miguel que chegou de Sertãozinho deve ganhar a vaga de Ricardo Bierhals. Apesar de ter se destacado como lateral esquerdo no Goiano, Bruninho está sendo testado no meio campo, já que deixaram o Gigante os meias Marcelo Labarthe e Danilinho. O trio de volantes deve ter Mateus Magro, Diego Paulista e Thiago Dias ou Guto. No ataque, Jones, Matheus Guerreiro e Nandinho brigam por uma vaga para jogar ao lado do artilheiro Gilmar.

Veja os reforços que chegaram e com nomes publicados no BID (exceto Rodrigo Dias)
Veja o elenco atual do GIGANTE DO VALE