segunda-feira, 7 de abril de 2014

IGREJA DE SANTA RITA DE CÁSSIA CRIA MUSEU SACRO EM ITUMBIARA

MUSEU VAI FUNCIONAR NO PRÉDIO DA IGREJA DE SANTA RITA DE CÁSSIA

Paróquia de Santa Rita de Cássia na década de 1930
Espaço Sacro - Museu Municipal

O administrador da Diocese de Itumbiara e Doutor em História, padre José Luiz de Castro, anunciou ontem a criação do Museu Sacro da Igreja de Santa Rita de Cássia em Itumbiara, em comemoração a 162 anos da criação da Freguesia e da Paróquia, que é sede da Diocese de Itumbiara.
O Museu terá como sede um espaço no primeiro andar no prédio anexo a Paróquia de Santa Rita de Cássia na Praça da República em Itumbiara e já vai começar a receber objetos.
Neste mesmo local foi criado em 1842 o prédio, onde está localizada a Catedral de Santa Rita de Cássia.
O Museu Municipal de Itumbiara possui um acervo variado  de bens com objetos sacros, que poderão ser cedidos para o novo Museu Sacro.
Igreja de Santa Rita de Cássia - 1841-2014

sábado, 5 de abril de 2014

COM ACORDO, UTI DE ITUMBIARA VOLTA A ATENDER SUS

APÓS ACORDO, UTI DO HOSPITAL SÃO MARCOS VOLTOU A ATENDER SERVIÇOS PELO SUS

 
Em entrevista ao programa "Entrevistando um autoridade" da Rádio Difusora de Itumbiara, o administrador do Hospital São Marcos em processo de recuperação judicial, Edward Robinson, informou que a unidade de UTI voltou a oferecer serviços de nove leitos para atendimento a usuários do SUS na região sul de Goiás, após acordo relacionado com o pagamento de cinco parcelas já vencidas dos serviços prestados.
O débito referente a cinco meses de serviços prestados  da UTI  atingiu o valor de R$ 1,6 mi e foi ocasionado pelo atraso do repasse de cinco parcelas pela Secretaria de Estado de Saúde que tem convênio com o município no valor mensal de R$ 265mil para custeio deste serviço. A Secretaria Municipal de Saúde recebe os recursos mediante convenio com a Secretaria de Estado, paga ao Hospital São Marcos, que por sua vez arrendou a área de UTI para o Instituto Unividas que efetivamente presta os serviços.
No inicio desta semana o Instituto Unividas paralisou os serviços após ter perdido efeitos a liminar que havia sido concedida ao município no período do carnaval para que os serviços continuassem a serem prestados.
Na quinta-feira a Secretaria de Estado de Saúde repassou ao Fundo Municipal de Saúde de Itumbiara uma parcela do convenio, três parcelas serão repassadas na próxima quarta-feira e no próximo dia 22 será feito o depósito da quinta parcela, ficando quitados os cinco meses de serviços prestados. 
 
 
 
 
 
 
A HISTÓRIA SEMPRE SE REPETE
Noticias de anos atrás...
As várias conversas que o deputado Álvaro Guimarães (PR) teve com médicos intensivistas do Hospital e Maternidade São Marcos e representantes da Associação Médica de Itumbiara tiveram resultado positivo. Os profissionais se sensibilizaram e reabriram a UTI nesta segunda-feira, 1. Mesmo em condições precárias, eles se comprometeram a aguardar a chegada de equipamentos mantendo a unidade em funcionamento, dentro do possível.
Contamos com a compreensão dos médicos intensivistas, que reabriram a UTI do São Marcos. Agora, estamos correndo para que os recursos sejam repassados urgentemente e as melhorias possam ser feitas, comenta Álvaro Guimarães. O deputado esteve novamente reunido com a Secretária de Estado da Saúde, Irani Ribeiro, na manhã desta terça-feira, 2, e cobrou agilidade no processo. Segundo a Dra. Irani, o dinheiro estará na conta da Prefeitura até o fim da semana, adiantou o parlamentar.
Álvaro Guimarães também fez contato telefônico com o Secretário da Fazenda, Jorcelino Braga, pedindo empenho na liberação dos recursos na ordem de R$ 500 mil. Este compromisso foi feito há quase 5 meses, mas o dinheiro ainda não chegou. Entendo que o Governo passa por dificuldades, mas precisamos de providências imediatas para evitar maiores prejuízos ao atendimento médico-hospitalar em Itumbiara, defende o representante da cidade.
Os médicos chegaram ao extremo de fechar a UTI do hospital por causa das condições de trabalho inadequadas e a falta de equipamentos. Antes do fechamento, 4 dos 9 leitos já estavam interditados pelo Conselho Regional de Medicina. Apenas 3 leitos estavam funcionando com respiradores, sendo um deles emprestado pelo SAMU e os outros dois cedidos em comodato pela Secretaria Municipal de Saúde.
A Unidade de Terapia Intensiva do Hospital e Maternidade São Marcos, em Itumbiara, é a única na região Sul de Goiás, abrangendo a população num raio de 150 km. Para recuperar a UTI, os R$ 500 mil serão repassados pela Secretaria de Estado da Saúde à Prefeitura de Itumbiara por meio de convênio. Caberá à administração municipal fazer a licitação para compra dos equipamentos e, posteriormente, cedê-los ao Hospital em regime de comodato. 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

OBITUÁRIO ITUMBIARA - A MORTE DE EDSON FERREIRA MENDES

Na tarde desta quinta-feira faleceu em Itumbiara, Edson Ferreira Mendes, após período de internação por complicações de saúde. Edson, que foi venerável da Loja Maçônica Justiça e Caridade 1293 e foi agraciado com a Estrela da Distinção Maçônica, nasceu em 19/09/1942, contava com 71 anos.
Como maçon teve atuação destacada na área de contabilidade e financeira da SOMA-FESIT - Sociedade Mantenedora e Administradora da FESIT entre 1991 e 1997, quando as três lojas maçônicas de Itumbiara administraram o ensino superior da cidade, que contava na época com os cursos de Agronomia, Ciências, Pedagogia e Administração. O sepultamento deve ocorrer as 14 horas.






Estão sendo velados e serão sepultados nesta sexta-feira ainda em Itumbiara:
Durvaldo Rodrigues da Silva - 64 anos - Funerária Santa Rita - sepultamento Avenida da Saudade as 17h30

Julieta Ribeiro Barcelos - 88 anos - Dona Marica - sepultamento as 15 horas - Cemitério Avenida da Saudade

Celio Tavares da Silva - 60 anos - Funerária Fênix - sepultamento as 15 horas - Cemitério Parque

Diva Fonseca da Rocha - 76 anos - sepultamento as 17 horas - Cemitério Parque

quarta-feira, 2 de abril de 2014

ITUMBIARA EC VAI FAZER ASSEMBLÉIA PARA COMPLETAR CONSELHO DELIBERATIVO E ELEGER PRESIDENTE

CONSELHEIROS VÃO SE REUNIR NO CT ADALBERTO SOUSA E SILVA



Nesta quinta-feira, dia 03/04, a partir das 19 horas deverá ocorrer Assembléia dos conselheiros natos e sócios  do time do Itumbiara para complementação do Conselho Deliberativo do clube e eleição do presidente, vice e secretário do órgão.
Na primeira Assembléia podem participar com direito a voto, dezoito conselheiros natos que foram presidentes do clube e mais 101 sócios em dia com o clube. Nesta reunião vai ser complementado o Conselho que deverá contar com 40 membros.
Em seguida haverá outra Assembléia para escolha do novo presidente, do vice e do secretário do Conselho.
Atualmente o contador José Marcos é o presidente do Conselho, Arnaldo Donizete é o vice e Waterloo Araújo, responde como secretário.

BRIGA DE ADVOGADOS PROVOCOU EMANCIPAÇÃO DE ITUMBIARA EM 1909 (SANTA RITA DO PARANAÍBA|)

1.1 A NOVA HISTÓRIA POLÍTICA NA EMANCIPAÇÃO DE SANTA RITA




O evento da emancipação de Santa Rita do Paranaíba, hoje Itumbiara, sempre foi tratado em algumas obras da história local, como um acontecimento resultante dos atos de bravura de coronéis locais, que conquistaram, através de suas lutas, a independência política e administrativa do município, seguindo o velho modelo da escrita da história política que colocava o Estado em evidência e os dirigentes como heróis.

Santa Rita do Paranaíba era um pequeno povoado que surgira com a criação de um porto no Rio Paranaíba pelo governo imperial, por volta de 1830, na região sul de Goiás. Foi denominado distrito do município de Santa Cruz de Goiás em agosto de 1852, com o nome de Freguesia de Santa Rita do Paranaíba. No período de 1855 a 1859 passou a fazer parte de Vila Bela do Paranaíba, nome primeiro da cidade de Morrinhos em sua emancipação naqueles anos. Voltou a fazer parte do município de Santa Cruz de Goiás até por volta de 1872, quando Morrinhos recupera a condição de município e também integra Santa Rita do Paranaíba como seu distrito. A emancipação política e administrativa de Santa Rita do Paranaíba ocorreu em 16 de julho de 1909 e a mudança para o nome de Itumbiara foi aprovada em dezembro de 1943 (FREIRE, 2011, p. 20).

As relações entre o Arraial de Santa Rita do Paranaíba e Morrinhos foram constituídas desde a metade do século XIX, primeiro entre 1855 e 1859, quando foi criada a Vila Bela de Morrinhos, tendo Santa Rita do Paranaíba como distrito, condição que muda a partir de 1859, quando Morrinhos perde a condição de Município e Santa Rita do Paranaíba volta a ser distrito do município de Santa Cruz de Goiás, situação que permanece até 1871, quando novamente é recriado o município de Morrinhos, que passa a fazer parte de Pouso Alto, hoje Piracanjuba, até 1882, quando Morrinhos se emancipa (FREIRE, 2011, p. 30).

Como exemplo de história descritiva da emancipação, apresenta-se a obra de Almeida Neto (1997, p. 9) que a descreve como luta política liderada por seus familiares, o bisavô Major Militão Pereira de Almeida, e seu avô, o coronel Sidney Pereira de Almeida, que teriam levado em mãos as reivindicações da população. Mas quando se faz uma análise da realidade política daquele período à luz da nova história política, verificam-se outras disputas de poder, que não se resumem em ações locais, até porque esses homens não tinham nenhuma influência política no Estado e nem tiveram participação relevante no Movimento político de 1909 em Goiás que resultou na emancipação de Santa Rita do Paranaíba.

Aconteceram intensas relações políticas locais que envolveram fazendeiros, comerciantes e funcionários públicos em Santa Rita do Paranaíba e que se ligavam à casa de Dona Francisca, em Morrinhos, através do casamento do coronel Jacintho Luiz da Silva Brandão com uma de suas sobrinhas. Por outro lado, apesar de ser padrinho de casamento do coronel Jacintho, Antônio Xavier Guimarães era ligado a outro grupo político, uma vez que seu irmão, Joaquim Xavier Guimarães Natal, era aliado e cunhado de José Leopoldo de Bulhões Jardim, que se tornara rival, a partir de 1905, dos familiares da família de Dona Francisca em Morrinhos.

Esses homens ocuparam os papéis de funcionários públicos da Recebedoria de Santa Rita do Paranaíba, nas relações que antecederam o acontecimento da emancipação em 1909. Com exceção de Antônio Xavier Guimarães, que cedeu sua fazenda para a base dos revoltosos no norte do Estado, os demais não desempenharam nenhum papel político relevante. Eram pessoas com atuação local e todo poder político estava em Morrinhos, sob o comando da família de Dona Francisca Carolina de Nazareth Moraes, entre 1871 e 1909.

Dentro desse contexto, utilizando-se da abordagem da nova história política, procuram-se encontrar as raízes das decisões e estratégias dos grupos que se enfrentaram e os sentidos dos acontecimentos, colocando como protagonistas pessoas que foram excluídas da escrita da história, mas que participaram dos embates e arranjos que se iniciaram na década de 1860 e culminaram com a emancipação de Santa Rita do Paranaíba em 1909.

Ao se avançar sobre o estudo dos espaços privados, para também ir além de relações eminentemente políticas, procura-se evidenciar como foram construídas e modificadas as representações de mãe, filha, esposa e dona de casa pelas mulheres, e de heróis, construídas pelos homens, e ainda compreender por que lutaram, como agiram e quais outros papéis assumiram. São algumas das vivências e questões que vão ser tratadas na sequência.

A construção dos papéis de mãe, filha e esposa foi solidificado pelo parlamento, que fazia leis reforçando a atuação das mulheres no espaço privado dentro da formação da família e excluindo-as dos espaços públicos através da política e de cargos. A Igreja reforçava esses papéis na doutrina católica de submissão das mulheres, e a dominação chegava às escolas, onde também as mulheres dificilmente poderiam obter o diploma de bacharel.

Mas é evidente que as mulheres que são estudadas conseguiram superar esses discursos de dominação em algumas situações. Nessa perspectiva procura-se formar novas hipóteses explicativas para esses eventos políticos, quando se colocam os casamentos como porta de entrada para as modificações nos papéis de homens e mulheres nas relações sociais, a exemplo daquele realizado em 1869, entre o coronel Hermenegildo Lopes de Moraes e Dona Francisca Carolina de Nazareth Moraes.

Embora possa parecer um paradoxo, uma vez que o casamento pela Igreja Católica reforçava o papel de submissão das mulheres, é exatamente através dele que se permitia que as mulheres pudessem estar ao lado de seus maridos, o que possibilitava que a política invadisse os espaços privados, favorecendo, assim, a participação das mulheres.

Ressalta-se que o casamento, até a proclamação da República, era um ato administrado pela Igreja Católica. Na região de Santa Rita do Paranaíba havia um grande número de amancebados, justamente pela dificuldade de acesso das pessoas mais pobres ao sacramento.

Um dos casamentos que faz parte desses processos ocorreu exatamente na Paróquia de Santa Rita de Cássia, envolvendo a figura do então comerciante e funcionário público Hermenegildo Lopes de Moraes, que contraiu núpcias com a viúva Dona Francisca Carolina de Nazareth Moraes, filha de família tradicional da região, que tinha o sobrenome Marquez. Depois do padre Félix, maior autoridade do Distrito, o Capitão Manoel Martins Marquez era também respeitado e ouvido. Além da função de padre, de fazendeiro ou de comerciante, a recebedoria de Santa Rita do Paranaíba fazia parte do grupo seleto de cargos públicos disponíveis para ocupação dos homens.

Como instituição disciplinada pela Igreja Católica naquele período, o casamento era acessível a poucos, apesar do incentivo do Clero para que os concubinos e amancebados regularizassem suas situações. As mulheres ligadas ao ambiente político por meio de seus esposos e que fazem parte desses estudos, todas iniciaram seus papéis como mãe, filha, esposa e dona de casa, nos moldes propostos pela Igreja, tanto pelas condições econômicas que possuíam para realizar os casamentos na Igreja, como pelas condições sociais determinadas pela vivência diária no templo. Portanto, era natural no período que pessoas em condições semelhantes ficassem mais próximas e isso torna possível refletir sobre o motivo que levou à aproximação do coronel Hermenegildo Lopes de Moraes, com Dona Francisca Carolina de Nazareth Moraes em Santa Rita do Paranaíba, na década de 1860, e ao casamento em 1869.

O coronel Hermenegildo Lopes de Moraes chegou a Santa Rita do Paranaíba, vindo de Curralinho, hoje Itaberaí, como pequeno comerciante, proprietário de tropas e funcionário público, desempenhando funções na Recebedoria do Arraial. Sua vida começou a ser transformada após dois eventos: o primeiro, trata-se da Guerra do Paraguai, entre 1865 e 1870. O segundo, se deu por volta de 1869, ocasião do seu casamento com Francisca Carolina de Nazareth Moraes. Foi através desses acontecimentos que lhe foram ampliadas as condições para uma carreira como grande comerciante, fazendeiro, coronel da Guarda Nacional, deputado constituinte em Goiás, vice-presidente e Intendente em Morrinhos, assim como foi possibilitado transformar sua casa em centro do poder político nos primeiros dez anos do século XX no Estado (FERREIRA e PINHEIRO, 2009).

Junto, nessas transformações, sempre esteve presente, por um período de mais de trinta anos, a sua esposa, recém-viúva, que saíra do Arraial. Casada pela segunda vez quando do enlace com o coronel Hermenegildo teve uma década para se tornar fazendeira, primeira-dama de Morrinhos e administradora de uma das maiores fortunas de Goiás em fazendas, comércios, depósitos, créditos e outros bens. Junto com Dona Francisca, suas três filhas Maria Carolina, Anna Theodora e Amélia Augusta participaram ativamente de relações sociais e políticas desde Santa Rita do Paranaíba, em 1871, até a efetiva emancipação como distrito em 1909.

É possível constatar que o coronel Hermenegildo Lopes de Moraes foi para Santa Rita do Paranaíba vislumbrando crescimento de sua vida financeira com a possibilidade da Guerra do Paraguai, fato que se concretizou. Sobre a entrada na sua vida de Francisca Carolina de Nazareth Moraes e o seu casamento com ela, o processo se deu pela presença de ambos em eventos realizados dentro da Igreja de Santa Rita de Cássia, nas várias ocasiões em que se encontraram em casamentos e batizados, mesmo quando ela era casada com Alcebíades José da Silveira, o primeiro esposo, conforme se verifica na obra escrita pelos historiados goianos Josmar Divino Ferreira e Antônio César Caldas Pinheiro, quando da comemoração do centenário de Itumbiara (FERREIRA e PINHEIRO, 2009).

As mulheres da casa de Dona Francisca Carolina de Nazareth Moraes não tinham inicialmente condições de fugir dos papéis a elas reservados pela sociedade, tanto as filhas do primeiro casamento, Maria Carolina e Anna Theodora, como Amélia Augusta, filha do segundo casamento. Entretanto, percebe-se que todas essas mulheres modificaram seus papéis no decorrer do tempo, seja na área econômica, como proprietárias, seja na social, com a presença nos processos eleitorais em que os maridos participavam, seja também com a politização dos espaços privados, ocupando espaços nas relações de poder como primeiras-damas, quando do exercício de cargos nos poderes executivos e legislativos no município de Morrinhos e no Estado de Goiás.

Dona Francisca Carolina de Nazareth Moraes é um exemplo de emancipação por meio da herança, já que com a morte do coronel Hermenegildo Lopes de Moraes tornou-se legalmente a líder da família e proprietária da metade dos bens deixados pelo coronel.

Outra porta para a visibilidade foi a politização dos espaços privados, fato que colocou em evidência as primeiras-damas Amélia Augusta de Moares, Maria Carolina Silveira Nunes, Anna Theodora Silveira Amorim e Messias Alexandrina Marquez Brandão. Neste contexto entende-se que o privado foi politizado pela realização de articulações políticas e até da organização dos processos eleitorais, que vão desde os alistamentos até as próprias eleições, as quais eram realizadas na casa de Dona Francisca Carolina Nazareth de Moraes, assim como na de suas filhas.

Em Santa Rita do Paranaíba, embora tendo ela sido criada no então distrito, não se verificaram vestígios da participação de Dona Francisca Carolina de Nazareth Moraes nas relações políticas do Arraial. Neste aspecto cabe uma indagação: por que ela não intercedeu, em nenhum momento, pela emancipação do distrito, mesmo contando com parentes no local, como seu próprio filho Galdino Marquez Silveira, o irmão Damaso Martins Marquez e a sobrinha Messias Alexandrina Marquez, casada com o primeiro intendente da emancipada Santa Rita do Paranaíba, o coronel Jacintho Luiz da Silva Brandão?

A resposta a essas indagações está no fato de as mulheres serem ausentes nas decisões essencialmente políticas, tais como participação em partidos, alistamento eleitoral, mesas de votações e ocupação de cargos públicos e políticos.

Não se percebe qualquer interferência de Dona Francisca Carolina de Nazareth Moraes e de suas filhas, que poderiam ter influenciado o presidente do Estado, José Xavier de Almeida, e o coronel Hermenegildo Lopes de Moraes até 1905, além do bacharel Hermenegildo Lopes de Moraes, após 1905, a tomar qualquer medida pela emancipação de Santa Rita do Paranaíba.

Prevaleceu a ideia de que os homens não queriam repartir o poder a partir de Morrinhos e as mulheres não manifestaram nenhum interesse em participar do processo de emancipação de Santa Rita do Paranaíba, nem que isso favorecesse seus parentes mais diretos que ficaram no arraial. Mulheres pensavam e influenciavam no espaço privado, mas aos homens cabia decidir sobre as coisas públicas.

Entretanto, a partir de Morrinhos coube às mulheres da família que tiveram origem em Santa Rita do Paranaíba desempenhar uma relação estreita com o poder, no sul de Goiás, nos primeiros anos da República. A própria Francisca foi primeira-dama em Morrinhos no início da década de 1890, papel depois assumido por sua filha mais velha, Maria Carolina da Silveira Nunes, enquanto à filha mais nova, Amélia Augusta de Moraes, coube o papel de primeira-dama do Estado a partir de 1901. Anna Theodora da Silveira, filha do primeiro casamento, também foi, conjugando essa atividade com a de mãe e dona de casa; assim, acompanhou o marido em Pouso Alto, hoje Piracanjuba, tornando-se também primeira-dama daquela localidade.

Quando seguiu para Morrinhos em 1871, Dona Francisca Carolina de Nazareth Moraes já era mãe de quatro filhos, sendo o caçula de um ano, o futuro bacharel Hermenegildo Lopes de Moraes. Como o coronel, seu esposo já tinha boa situação financeira, obtida em tão pouco tempo com a Guerra do Paraguai, era natural sua permanência no distrito que tantos progressos lhe proporcionou, tanto na vida privada como na vida pública. Questiona-se então: o que o teria levado para Morrinhos com toda a família?

A resposta para a mudança de Santa Rita do Paranaíba para Morrinhos de Dona Francisca e do coronel Hermenegildo vai trazer também outras explicações de como essas mulheres foram além do papel de mãe e esposa imposto pelo discurso de dominação dos homens e instituições daquele período da Primeira República e se tornaram primeiras-damas atuantes, trabalhando junto com os maridos no comércio, passeando nas viagens e ficando presentes no exercício de cargos públicos e políticos, apesar de não serem competentes legalmente para esses lugares.

O motivo da mudança da família para Morrinhos é, segundo alguns familiares, um surto de malária que viveu Santa Rita do Paranaíba e que poderia afetar a saúde da própria esposa e de seus escravos; mas pela visão empreendedora do coronel, é possível arriscar que o sentido principal de sua mudança seria a possibilidade de emancipação de Morrinhos que viria logo acontecer, assim como a perspectiva de melhores condições de vida naquela cidade, o que veio a se confirmar anos depois e que de fato possibilitou um crescimento econômico e político da família (MENESES, 1998).

A situação econômica favoreceu as mulheres da casa de Francisca a vivenciarem outros papéis, pois o grande número de auxiliares em suas casas permitia viagens por Goiás, pelo Brasil e até para a Europa. Além disso, se elas não podiam disputar os cargos públicos e os processos eleitorais, vivenciavam a situação com os homens através da politização do espaço privado em suas casas. Os políticos também faziam políticas na Igreja, nas casas e nas viagens.

As filhas de Dona Francisca, Maria Carolina e Anna Theodora, seguiram ainda crianças com sua mãe para Morrinhos, em 1871, e no ano de 1884, já adultas e prontas para o casamento, ganharam mais uma irmã, Amélia Augusta de Moraes. Observa-se que Francisca Carolina não segue uma sequência linear no tempo em relação à gestação de seus filhos, pois foge à regra do período de casar nova e ter muitos filhos em seguida. Ela teve sete filhos em um período de vinte anos.

Para chegar até os eventos dos casamentos, é importante observar o círculo de relações da família, onde estavam os caixeiros e sócios do então coronel Hermenegildo Lopes de Moraes e políticos da capital. Essa proximidade levou aos casamentos das enteadas com os também patenteados da Guarda Nacional Major Pedro Nunes da Silva, da região de Morrinhos, e tenente Pacífico do Amorim, da região de Piracanjuba. As articulações políticas aproximaram a filha, Amélia Augusta, do presidente do Estado, José Xavier de Almeida. Os enlaces foram os pontos iniciais que permitiram a essas mulheres, primeiro exercer o papel de mãe, esposas e filhas, e posteriormente, com a politização do espaço privado, tornar-se primeiras-damas, com participação política nas relações de poder.

As relações que se tornam casamentos já eram antigas em Santa Rita do Paranaíba. José Fleury Alves do Amorim e o irmão, padre Félix Alves do Amorim, foram os primeiros a ter o poder político em Santa Rita do Paranaíba. O coronel Pacífico do Amorim era filho natural de José Fleury Alves do Amorim e se casou com Anna Theodora, filha de Francisca Carolina de Nazareth Moraes. O círculo de amizade entre as famílias se formou na então Paróquia de Santa Rita de Cássia, onde todos participavam dos eventos religiosos.

Como essas mulheres da casa de Francisca saíram dos limites impostos pelos discursos de dominação dos homens, principalmente sendo mães de muitos filhos, e tornaram possível acompanhar os maridos? Considerando que Francisca teve sete filhos em períodos alongados, de 1862 a 1884, que Amélia Augusta teve onze, entre 1901 e 1912, e ainda que Maria Carolina e Anna Theodora, criaram um número superior a cincos filhos a partir do final da década de 1890, a explicação pode estar na boa situação econômica, que lhes permitia a contratação de serviçais para cuidar das crianças em casa, nas viagens e nos palácios e assim podiam se ausentar do lar em viagens e eventos.

Em relação ao aspecto de emancipação, através destes relacionamentos não é possível constatar esta situação das mulheres ou uma contestação ao papel a elas reservados, pois a prática política foi exercida na plenitude pelos homens e elas não participaram das decisões que mudaram a vida em Santa Rita do Paranaíba até a emancipação e no Estado de Goiás com o Movimento golpista de 1909.

Quando se refere à Dona Francisca Carolina de Nazareth Moraes é até possível falar em emancipação, o que ocorreu com a morte do coronel Hermenegildo Lopes de Moraes em maio de 1905, percebendo-se esse fenômeno nas publicações da época que se referiam à mesma como fazendeira, capitalista e herdeira de parte da riqueza do coronel.

Cabem reflexões, relacionadas aos eventos de 1909, que fazem parte de um processo que se concretiza em 16 de Julho de 1909, após o Movimento golpista que não permitiu que o bacharel Hermenegildo Lopes de Moraes assumisse a presidência do Estado. A resposta está na sequência de relações que marcaram a chegada ao poder de José Xavier de Almeida como aliado de José Leopoldo de Bulhões Jardim em 1901, após exercer o cargo de Secretário no Estado de Interior e Justiça no grupo de Bulhões, e depois romper relações políticas em 1904, assim como arranjos e embates que se desencadearam a partir de 1908, ocasião em que a eleição deu ao grupo de Bulhões maioria no Congresso Goiano, entre os vinte e quatro deputados e doze senadores do Estado.

O grupo político de Morrinhos nunca quis a emancipação de Santa Rita do Paranaíba, povoado que originou a família de Francisca Carolina de Nazareth Moraes, para não dividir o poder, e quando foi derrotado no campo político, teve que aceitar a independência de Santa Rita do Paranaíba como punição primeira pela derrota.

O que faziam as mulheres da casa de Francisca e seus filhos, nos anos que antecederam o “golpe político” de 1909 e a emancipação de Santa Rita do Paranaíba? Francisca Carolina de Nazareth Moraes, na condição de viúva do coronel Hermenegildo Lopes de Moraes, em 1905, administrava a riqueza da família a partir da cidade Morrinhos. Amélia Augusta de Moraes Almeida estava ao lado do marido José Xavier de Almeida desde 1905, no Rio de Janeiro, quando seu esposo exercia o mandato de deputado federal.

Em 1908 Amélia Augusta veio a Goiás para a organização das eleições para deputados e senadores goianos, já que o bacharel José Xavier de Almeida comandava o diretório do partido e também era candidato, sendo eleito como senador federal. Já o irmão de Amélia, o bacharel Hermenegildo Lopes de Moraes, havia sido eleito como deputado federal e no início de 1909, presidente do Estado. Maria Carolina estava em Morrinhos ao lado do Major Pedro Nunes da Silva, Anna Theodora havia mudado para Piracanjuba e Galdino da Silveira estava ocupando cargos públicos em Santa Rita do Paranaíba.

A emancipação do distrito de Santa Rita do Paranaíba se dá com a derrota política dos homens da casa de Francisca para os aliados dos Bulhões. As lutas envolveram de um lado, os bacharéis José Xavier de Almeida, genro, e Hermenegildo Lopes de Moraes, filho de Francisca Carolina de Nazareth Moraes; pelo outro lado o bacharel José Leopoldo de Bulhões aliado a militares, engenheiros, fazendeiros insatisfeitos com o governo do grupo de Xavier de Almeida, e outros bacharéis, que promoveram imediatamente o enfraquecimento do grupo de Morrinhos, modificando toda estrutura política até então vigente no Estado.

As mudanças foram visíveis na ocupação dos cargos públicos nos municípios de Morrinhos e Santa Rita do Paranaíba, que passaram para outros aliados, não ligados à família de Francisca, que eram, até então, ocupantes dos cargos públicos e políticos na região sul de Goiás.

Em Santa Rita do Paranaíba, com a aprovação de José Leopoldo de Bulhões Jardim e do grupo político de José Xavier de Almeida, ocuparam os principais cargos políticos no distrito o irmão de Guimarães Natal, Antônio Xavier Guimarães e o aliado do coronel Hermenegildo Lopes de Moraes, o coronel Jacintho Luiz da Silva Brandão, nos primeiros dez anos da República.

O domínio do grupo político de Morrinhos a partir de 1900 foi sustentado por relações econômicas, através da riqueza da família de Francisca Carolina de Nazareth Moraes, por relações políticas lideradas pelos bacharéis José Xavier de Almeida e Hermenegildo Lopes de Moraes e por relações familiares, que permitiram o controle das principais cidades do sul de Goiás e a ligação com a capital através de Amélia Augusta de Moraes.

O processo da queda do domínio político da casa de Morrinhos deu-se por razões meramente políticas, já que começara um ano antes, em 1908, na eleição de deputados e senadores estaduais, quando o bacharel José Leopoldo de Bulhões Jardim fez maioria entre os eleitos e acelerou-se no momento em que o Movimento de 1909 tirou o presidente Miguel Rocha Lima do governo de Goiás, em 11 de março daquele ano. O primeiro vice-presidente, Francisco Bertholdo, não assumiu e o segundo vice do Estado, coronel José da Silva Batista, o Zeca Batista de Anápolis, um dos líderes do movimento a partir da região, é quem se torna presidente do Estado enquanto durou o golpe político de 1909.

Todos os instrumentos de dominação política começaram a mudar de mãos a partir de 1908 no Congresso goiano, que se reunia de maio a julho, e foi consolidado ao não reconhecer o resultado da eleição de 1909, que dava a vitória para a presidência do Estado ao bacharel Hermenegildo Lopes de Moraes. Mesmo vencedor nas eleições, ele perdeu a vaga para Urbano Coelho de Gouveia, o segundo colocado na eleição. José Xavier de Almeida, que havia sido eleito senador federal e já se preparava com a mulher para voltar ao Rio de Janeiro, ocasião em que deixaria parte dos filhos com a avó em Morrinhos, também sofreu a degola, processo de não reconhecimento pela Comissão de Verificação dos Poderes dos eleitos.

Estavam criadas as condições para aprovação da emancipação de Santa Rita do Paranaíba, que foi votada pelo congresso goiano entre maio e junho de 1909 e que levou à aprovação da Lei de emancipação sancionada em 16 de julho de 1909 pelo presidente em exercício, José da Silva Baptista, marcando como primeira medida a que representava a mudança do centro do poder político em Goiás: a exclusão política da casa de Francisca, a partir de Morrinhos, da política goiana, com o retorno imediato das decisões para a capital do Estado de Goiás.

Enquanto o chefe político da região sul foi o coronel Hermenegildo Lopes de Moraes, até 15 de maio de 1905, não houve qualquer interesse em emancipar Santa Rita do Paranaíba e nem tampouco quando o filho, o bacharel com o mesmo nome, sucedeu-o politicamente, mesmo contando com a aliança do presidente do Estado através do cunhado, bacharel José Xavier de Almeida. Estavam todos ocupando os principais espaços políticos no Estado e os pequenos cargos já estavam com a família também no Arraial.

A descrição do evento de emancipação de Santa Rita do Paranaíba não apresentou grandes embates, mas novas pesquisas, contando com a abordagem da nova história política aliada às relações de Gênero, tornam possível inserir nas relações a participação das mulheres com ligações com a política no Estado de Goiás na Primeira República, destacando ações ao lado de seus maridos que culminaram com essa queda do poder político dos bacharéis a partir de Morrinhos, em 1909, e a consequente e imediata emancipação de Santa Rita do Paranaíba, berço da família de Francisca Carolina de Nazareth Moraes.

Os embates políticos que antecederam a emancipação de Santa Rita do Paranaíba colocaram vários homens e mulheres como protagonistas. Pelo lado dos vencedores havia o bacharel José Leopoldo de Bulhões, ao lado de sua sobrinha e esposa, Cecília de Sousa Félix, os quais deixaram o Rio de Janeiro, onde ele desempenhava mandato de senador federal e o cargo de diretor do Banco do Brasil, depois de ser ministro da fazenda durante os embates, e para onde retornariam para assumir de novo, no governo federal, depois da morte de Afonso Pena, em 14 de junho de 1909, o cargo de ministro da fazenda,que ele já havia desempenhado no governo Rodrigues Alves até 1904.

O bacharel José Xavier de Almeida veio também para Goiás em 1908 influenciar na eleição de deputados e senadores que lhe dariam condição de mudar as eleições de 1909, sendo eleito senador federal em Janeiro de 1909, ao derrotar José Leopoldo de Bulhões; o bacharel viria a perder esse cargo com o Movimento de 1909.

Como perdedor, o bacharel José Xavier de Almeida, primeiro como presidente do estado e depois como deputado federal e senador eleito, viveu todos os momentos ao lado de Amélia Augusta de Moraes, na capital do Estado e no Rio de Janeiro, enquanto o coronel Hermenegildo Lopes de Moraes, o pai, esteve sempre presente, ao lado de Francisca Carolina de Nazareth Moraes até 1905, quando faleceu.

Percebe-se que, desde o casamento, em 1869, em Santa Rita do Paranaíba, o coronel Hermenegildo Lopes de Moraes não se ausenta da relação com Francisca Carolina de Nazareth de Moraes até 1905, quando se dá sua morte. Os papéis políticos exercidos pelo coronel foram sempre a partir de Morrinhos, de onde comandava seus negócios e mantinha suas relações de Poder. Os políticos é que iam à casa de Francisca Carolina de Nazareth Moraes para falar de política.

Com Amélia Augusta de Moraes também é possível observar esta presença constante com seu esposo, o bacharel José Xavier de Almeida, que vai do casamento, em 1901, até a saída do poder como líder político, com o golpe de 1909. Se o marido era presidente do Estado, ela estava no palácio exercendo seu papel de primeira-dama; se o marido foi para o Rio de Janeiro exercer o mandato de deputado federal, ela também foi morar na capital do país naquela época. Até nas cenas da derrota política do marido, em maio de 1909, ela está presente, cavalgando com destino a Morrinhos e depois a Minas Gerais.

Mesmo em um espaço mais reduzido de relações do Poder, Jacintho Luiz da Silva Brandão e Messias Alexandrina Marquez, a partir de Santa Rita do Paranaíba, viveram parte dos embates políticos que resultaram na emancipação de Santa Rita do Paranaíba. A relação, que começou em 1900 com o casamento, se manteve mesmo após a emancipação de Santa Rita do Paranaíba. O diferencial de Messias Alexandrina é que ela não exerceu o papel de mãe, por motivos não revelados pela família.

Então na emancipação de Santa Rita do Paranaíba verifica-se mais do que uma luta de políticos locais, pois ocorreram várias relações de poder envolvendo vários sujeitos em diferentes partes de Goiás e até da capital federal, relações que começaram em 1901 e culminaram com o Movimento político da cidade de Goiás e a emancipação de Santa Rita do Paranaíba de Morrinhos, em 1909. Como fazer novas abordagens na investigação histórica dentro do campo político e, com novas perspectivas, buscar a participação desses novos sujeitos a partir de suas múltiplas relações?

Para atingir esse objetivo é fundamental a abordagem dentro da nova história política e das relações de Gênero, distanciando-se da antiga história política que retratou o Estado, o Poder, as disputas pela conquista dessas instituições através do Movimento de 1909, mas agora com novas abordagens, objetos e problemas, com reflexões e buscando sentido nos fatos ocorridos em 1909 (RÉMOND,1986, p.14).

Os estudos são feitos a partir de uma História política rejuvenescida, levando em consideração uma diversidade de setores, como o cultural, o econômico, o social e também o político. Para isso utiliza-se também a história do pensamento político de Burke (2011, p. 32), que faz uma reflexão sobre novas maneiras para explicar os acontecimentos políticos. Para ele, “a história política se expande e está presente em outros lugares onde se dá a luta pelo poder” (BURKE, 2011, p. 8), como nas fazendas, nas repartições públicas, na família, nas escolas, de maneira que são observadas as atividades humanas envolvidas na construção da realidade. Não se tem mais a abordagem tradicional, essencialmente direcionada ao Estado. Se a política está em toda parte, justifica-se sua autonomia.

Agora, toda a realidade humana interessa ser estudada no campo da política, porque a realidade é social e culturalmente constituída. Esse novo enfoque permite-nos ver os contrastes entre a antiga e a nova história política, saindo do paradigma tradicional, que restringiu a própria história essencialmente à política, descrevendo as disputas pelo poder no Estado.

Não é mais a história de um sujeito, mas de várias relações presentes nos diversos embates que se sucedem entre fazendeiros, comerciantes, mulheres, servidores públicos e políticos, assim como das instituições que são utilizadas nesses embates. Como resultado dessas relações se sucedem várias consequências, tais como troca de funcionários, que perdem as funções, a formação de uma nova sociedade política, a ação das mulheres, entre outras. Ou seja, não se vai restringir o trabalho à alta política, aos líderes e às elites (BURKE, 2011, p. 37). A sociedade e a cultura serão a arena para se perceber essa realidade de 1909 em Goiás e, em especial, no distrito de Santa Rita do Paranaíba.

Outro aspecto importante destacado por Peter Burke (2011, p. 13), e que se utiliza nesse trabalho é a questão de o mesmo não estar ancorado simplesmente em documentos ou registros oficiais; ampliaram-se as fontes, preocupando-se com todas as atividades humanas e relações que marcaram o Movimento de 1909 e a emancipação de Santa Rita do Paranaíba.

Busca-se ao tratar do assunto um distanciamento da história tradicional e objetiva, já que não se pretende simplesmente apresentar aos leitores os fatos e dizer como eles aconteceram, até porque nossas mentes não são capazes de refletir diretamente o que ocorreu em 1909, como explica Burke (2011): “só percebemos o mundo através de uma estrutura de convenções, esquemas e estereótipos – um entrelaçamento que varia de uma cultura para outra.”

Ao relembrar um pouco da história política tradicional, percebe-se que ela, depois de alcançar o apogeu no século XIX, perdeu espaço com os “Annalles”, que trouxeram novas abordagens, objetos e problemas, fazendo com que a história política recuperasse sua participação a partir dos anos 80 do século XX, alargando o espaço de estudos que inicialmente compreendiam os partidos, eleições, guerras e biografias, alcançando a imprensa, a opinião pública, os grupos de pressão e o discurso.

René Rémond destaca a importância que o contato da história política com outras disciplinas, principalmente com a Ciência Política, a Sociologia, a Linguística e a Antropologia proporciona em novas pesquisas, rebatendo críticas (RÉMOND,1996, p.6) de que a História Política só se interessava por minorias privilegiadas em detrimento das massas, tendo objetos efêmeros e superficiais de curta duração. Ao estudar a participação na vida política e nos processos eleitorais, integra novos atores, preenchendo todos os requisitos para ser reabilitada. Ela também não descuida da longa duração, buscando na história das formações políticas e das ideologias e ainda da cultura política para entendimento dos fenômenos políticos (RÉMOND,1996, p. 07).

Outro aspecto a ressaltar é quanto às fontes anteriormente utilizadas, através de vestígios escritos, onde se destacavam as figuras do Estado e do Soberano. Tudo se resumia (RÉMOND, 1996, p. 14) na formação dos estados nacionais, as lutas por sua unidade, a emancipação, as Revoluções políticas, a Democracia, as lutas partidárias e os confrontos de ideologias políticas.

O que está em jogo em Goiás são lutas que envolvem bacharéis, homens, mulheres, igreja, famílias, comerciantes, fazendeiros e servidores públicos, com suas estratégias nas relações de poder.

Durante a reflexão sobre esses embates e arranjos políticos, procura-se preocupar mais com os comportamentos coletivos, do que com iniciativas individuais (RÉMOND,1996, p. 15), como por exemplo, como atuavam os comerciantes, a comunidade católica, os fazendeiros, os funcionários públicos, os bispos, as mulheres, e não só os políticos.

A posição adotada pelo pesquisador é de interrogação sobre o sentido dos fatos e de formação de hipóteses explicativas (RÉMOND,1996, p. 17). Como ocorre, por que acontece o Movimento de 1909 e por que o grupo dos Bulhões emancipa rapidamente Santa Rita do Paranaíba, assim que tomam o poder em Goiás?

Ao se fazer uma análise política, percebe-se que o Movimento de 1909 é desdobramento dos embates de 1904, quando José Xavier de Almeida, contando com maioria no Congresso Goiano, rompeu com José Leopoldo de Bulhões Jardim e fez seu sucessor Miguel Rocha Lima na presidência do Estado. Em 1908, José Leopoldo de Bulhões faz maioria no Congresso Goiano e dá o troco a José Xavier de Almeida, não reconhecendo a eleição de Hermenegildo Lopes de Moraes para assumir o governo em 1909.

Os embates também são ideológicos entre os bacharéis José Leopoldo de Bulhões e José Xavier de Almeida, trazendo como consequência imediata em 1909 a emancipação de Santa Rita do Paranaíba, tendo como objetivo o enfraquecimento do grupo político de Morrinhos.

Há ainda repercussões em outras áreas, como a religiosa. O bacharel José Leopoldo de Bulhões, com ideias liberais, havia causado o rompimento com a Igreja Católica em 1896, e a consequente mudança da Diocese e do bispo para Uberaba em Minas Gerais. Com José Xavier de Almeida no comando do Estado, a Diocese volta para Goiás em 1908 e se dá a aproximação com o bispo Dom Prudêncio.

Além da briga política pela tomada do poder, dos conflitos com a religião católica, os embates vão também influir na economia do Estado. Com baixa arrecadação, os governos de José Xavier de Almeida e Miguel Rocha Lima provocam aumento da tributação na Pecuária, maior atividade econômica do Estado no início do século XX, causando uma revolta dos pecuaristas contra o Governo. A união dos pecuaristas, que tinha também a participação do bacharel Antônio Ramos Caiado atuando ao lado do líder político José Leopoldo de Bulhões provocou as condições ideais para mudança do grupo político no Poder em Goiás a partir de 1909.



terça-feira, 1 de abril de 2014

O DIA QUE UM ITUMBIARENSE FOI ELEITO GOVERNADOR DE GOIÁS


FREIRE, N.S. CASAMENTO, EMBATES E ARRANJOS POLÍTICOS EM GOIÁS: uma abordagem das relações de poder na perspectiva de Gênero. Trabalho de conclusão (Curso de História, Poder e Cultura) – Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), Goiânia, 2013.

(...) Na turma dos bacharéis com influência católica e no grupo de José Xavier de Almeida, tem-se o bacharel Hermenegildo Lopes de Moraes, o primeiro filho do segundo casamento de Francisca Carolina de Nazareth Moraes, nascido em Santa Rita do Paranaíba no dia 06/10/1870, com formação em Direito no final de 1890 na Faculdade de Direito em São Paulo e tornado deputado federal em 1894, 1897, 1901, 1905 e 1908. Foi eleito ainda presidente de Goiás em 1909, mas não teve reconhecido o resultado e que acabou com o movimento golpista de 1909, liderado por José Leopoldo de Bulhões Jardim.


Depois da queda do grupo político de José Leopoldo de Bulhões Jardim, o bacharel Hermenegildo Lopes de Moraes retorna em alta com a vitória para o Senado Federal em 1918. Foi o principal articulador político da família após o ano de 1905, com a morte de seu pai, que tinha o mesmo nome. Casado com a também católica Maria Amambini Paranhos, foi o primeiro filho ilustre de Santa Rita do Paranaíba a se tornar deputado e senador federal, além da eleição para presidente do Estado. (...)
3.2 O “GOLPE POLÍTICO” DE 1909 EM GOIÁS
                                        coronel Hermenegildo Lopes de Moraes, pai do bacharel Hermenegildo, primeiro itumbiarense eleito governador de Goiás e que não assumiu devido a golpe político em 1909
Bacharel Hermenegildo - Deputado Federal e Senador da República - foi eleito governador e nasceu em Santa Rita do Paranaíba
Nas eleições de 1909 José Xavier de Almeida foi eleito senador e o bacharel Hermenegildo Lopes de Moraes foi eleito presidente do Estado de Goiás, mas essas eleições não foram reconhecidas pela Comissão de Verificação dos Poderes, já que nas eleições de deputados e senadores estaduais eleitos em 1908, José Leopoldo de Bulhões fez a maioria, fato que levou à queda da liderança de José Xavier de Almeida e à ascensão no Estado de José Leopoldo de Bulhões e consequentemente à emancipação de Santa Rita do Paranaíba para enfraquecimento do grupo político de Morrinhos, cujas riquezas antes pertencentes ao coronel Hermenegildo Lopes de Moraes neste período eram administradas por Francisca Carolina Nazareth de Moraes e seus filhos.


As eleições de 1909 tiveram os seguintes resultados não reconhecidos pela Comissão de Verificação dos Poderes:

QUADRO 6- RESULTADO DA ELEIÇÃO FEDERAL 30/01/1909 - SENADO


José Xavier de Almeida

Advogado – residente na capital

3.435

José Leopoldo de Bulhões

Diretor Banco – Residente Petrópolis RJ

2.629

Fonte: Semanário Oficial – número 460, 13 de março de 1909



QUADRO 7 - RESULTADO DA ELEIÇÃO FEDERAL 30/01/1909 - DEPUTADO


João Alves de Castro

Advogado – residente na capital

3.739

Hermenegildo Lopes de Moraes

Advogado – residente em Morrinhos

3.655

Eduardo Arthur Socrates

Engenheiro Militar – residente no Rio de Janeiro

3.517

Antônio Ramos Caiado

Fazendeiro – residente na capital

2.469

Fonte – Semmanario Official, número 460, 13 de março de 1909



Na eleição de 1909, novamente o grupo de José Xavier de Almeida saiu vitorioso, mas com o Movimento de 1909 não houve o reconhecimento desse resultado e assumiu a presidência do Estado Urbano Coelho de Gouveia. Desta vez o grupo de José Leopoldo de Bulhões Jardim tinha a maioria dos deputados no Congresso de Goiás.



QUADRO 8 - ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE DO ESTADO DE GOIÁS EM 1909

Hermenegildo Lopes de Moraes

Advogado

1.653

Urbano Coelho de Gouveia

Engenheiro

1048

Major Virgílio José de Barros



1

Fonte: Semmanario Official , número 460, 13 de março 1909



QUADRO 9 - ELEIÇÃO PARA VICE PRESIDENTE ESTADO DE GOIÁS 1909

Cel. Francisco Bertoldo de Souza

1640

Cel. Alfredo Paranhos

1.484

Cel. Jacintho Honorato Pinheiro

1.452

Cel. José da Silva Batista

1.225

Cel. Luiz Fleury de Campos Curado

1.217

Cel. Herculano de Souza Lobo

1.166

Fonte: Semmanario Official, numero 460, 13 de março 1909


O processo que se torna o “golpe político” de 1909 em Goiás tem relações que podem estar ligadas ao ano de 1869, em pleno desenrolar da Guerra do Paraguai, com o casamento de Francisca Carolina de Nazareth Moraes, que construiu uma família que mudou os rumos políticos de Goiás. Podem também apontar desdobramentos a partir de 1901, com a chegada de Amélia Augusta de Moraes ao Palácio Conde dos Arcos, na capital do Estado, quando assume a presidência do Estado o bacharel José Xavier de Almeida, até concluir com o evento da emancipação de Santa Rita do Paranaíba, sempre passando pela casa de Francisca Carolina de Nazareth de Moraes, mesmo a partir de 1905 com a morte do coronel Hermenegildo Lopes de Moraes, quando a casa de Morrinhos tem uma mulher como protagonista a partir de seu ambiente privado.

Além dos casamentos, da formatura dos bacharéis, das viagens e da morte do coronel Hermenegildo Lopes de Moraes, outros embates políticos que ocorreram a partir de 1904 fazem parte do processo que vai resultar no golpe político de 1909 e na emancipação de Santa Rita do Paranaíba.

Outras relações além de políticas, religiosas e familiares também fazem parte do processo, como a política fiscal dos governos Xavier de Almeida e Miguel Rocha Lima, que influíram na eclosão do Movimento golpista de 1909, colocando em evidência e ao lado de José Leopoldo de Bulhões Jardim, os fazendeiros descontentes no Estado, responsáveis pela principal atividade da economia goiana entre 1901 e 1909.

A eleição de 1908 para deputados e senadores estaduais também influenciou no Movimento golpista de 1909, já que aliados de José Leopoldo de Bulhões elegeram maioria, fato que possibilitou não reconhecer o presidente eleito, o bacharel Hermenegildo Lopes de Moraes em 1909.

Devido à crise econômica e arrocho fiscal, e tendo ainda o deslocamento do poder da capital para o interior, com o fortalecimento do grupo político de Morrinhos, o bacharel Antônio Ramos Caiado, o Totó Caiado, e o engenheiro e militar Eugênio Jardim lideraram o movimento golpista ao lado de fazendeiros, que cercaram a capital de Goiás em 13 de março de 1909 e forçaram a saída de Miguel da Rocha Lima do governo e a retirada da vida política do bacharel José Xavier de Almeida.

Além de não reconhecer a vitória de Hermenegildo Lopes de Moraes, o filho, como presidente de Goiás a partir de 1909, não foram reconhecidos também deputados e senadores eleitos. O perdedor Urbano Coelho de Gouveia, cunhado de José Leopoldo de Bulhões Jardim, assumiu o poder em julho de 1909, após o golpe político iniciado em março do mesmo ano.

O Congresso Legislativo Estadual, composto por doze senadores e vinte e quatro deputados estaduais, reunia-se duas vezes por ano, entre maio e julho, ocasião em que votou a Lei de emancipação de Santa Rita do Paranaíba, que foi sancionada em 15 de julho de 1909 pelo presidente do Estado em exercício, José Baptista, terceiro vice-presidente.

O enfraquecimento de Morrinhos ocorre entre 13 de março, quando Miguel da Rocha Lima é obrigado a abandonar o governo pelo golpe de 1909, passa pela mudança do poder para o primeiro vice-presidente Francisco Bertoldo e em seguida para o presidente do Senado Joaquim Ruffino Ramos Jubé, chegando até ao coronel anapolino José da Silva Baptista, antes de assumir definitivamente o engenheiro Urbano Coelho de Gouveia em 24 de julho de 1909, derrotado nas urnas e elevado presidente através de golpe político.

Quando parte da família de Francisca Carolina de Nazareth de Moraes está fora da política com a volta para casa do genro José Xavier de Almeida e da filha Amélia Augusta de Moraes, Morrinhos está fora do poder e Santa Rita do Paranaíba está emancipada.

Alguns nomes aparecem na emancipação de Santa Rita do Paranaíba, como do coronel José da Silva Batista, o Zeca Batista, terceiro vice-presidente do Estado, que estava exercendo a presidência até 23 de julho de 1909. Liderou parte do “golpe” de 1909 a partir de Anápolis e assumiu o governo de Goiás a partir de primeiro de maio de 1909. Sancionou a Lei de emancipação de Santa Rita do Paranaíba em 16 de julho de 1909.

Antônio Xavier Guimarães, irmão de Guimarães Natal, ligado aos Bulhões, foi para Santa Rita do Paranaíba para exercer o cargo público de Administrador da Recebedoria. Padrinho de casamento de Jacintho Luiz da Silva Brandão, cedeu sua fazenda para reunião de pessoas que participaram do Movimento golpista de 1909 a partir do norte e fez a intermediação política quando da emancipação entre os políticos de Santa Rita do Paranaíba e o então governo golpista que assumiu em 1909.

Outro líder do Movimento de 1909, Eugênio Rodrigues Jardim, ao se tornar delegado geral de Polícia de Goiás, nomeou o major Militão Pereira de Almeida para delegado em Santa Rita do Paranaíba, dando início a um novo ciclo de poder no município emancipado através golpe político de 1909.

Nas eleições de 1909 a coligação republicana acabou levando ao poder, através do “golpe político”, José Leopoldo de Bulhões para senador federal e Antônio Ramos Caiado, Marcelo Francisco da Silva e Padre Trajano Balduíno como deputados federais, embora não fossem os mais votados. Na mesma eleição para presidente do Estado foi reconhecido o engenheiro Urbano Coelho de Gouvêa, que havia perdido as eleições no voto para o bacharel Hermenegildo Lopes de Moraes.

Na fazenda Quinta, de propriedade de Eugênio Rodrigues Jardim, o Movimento golpista foi organizado entre abril e maio, para derrubada do presidente eleito, quando mais de mil homens foram arregimentados.

Os fazendeiros descontentes com a política fiscal do grupo político de José Xavier de Almeida, no poder desde 1901, uniu até aqueles que estavam separados, como o bacharel e fazendeiro Antônio Ramos Caiado, que se uniu ao grupo de José Leopoldo de Bulhões Jardim para ajudar no Movimento golpista de 1909, mesmo tendo sido companheiro do bacharel José Xavier de Almeida em seu governo.

Até a morte do Presidente Afonso Pena, em 14 de junho de 1909, também ajudou no fortalecimento dos Bulhões, pois tendo como amigo de Nilo Peçanha, o vice que se tornou presidente, levou José Leopoldo de Bulhões Jardim a assumir novamente o cargo de ministro da Fazenda e assim se tornar novamente um dos protagonistas da política em Goiás, pelo menos até 1912, quando será derrotado por outros, até então aliados no golpe político de 1909, como o bacharel Antônio Ramos Caiado.

Derrubado o grupo político da casa de Dona Francisca Carolina de Nazareth de Moraes, a partir de maio de 1909 começou a gestação da emancipação com a votação no Congresso Goiano e que foi concretizada no dia 16 de julho de 1909 pelo então presidente do Estado em Exercício, José da Silva Baptista.



segunda-feira, 31 de março de 2014

TAÇA CHICO BALA - TERCEIRA RODADA

JOGOS DOS DIAS 05 E 06 DE ABRIL

SÁBADO - DIA 05 DE ABRIL - HORÁRIO 16 HORAS
Caçapão - BAIRRO BRASILIA X REAL
Clube dos 50 - DUDU PRESENTES X OPERARIO
Aerca - ULBRA/KBM X MILAN
Goiasinho - BARCELONA X MAROLINA
Vila Operária - AECD X VILA MUTIRÃO

DOMINGO - 06 DE ABRIL
Goiasinho - 10 h - SÃO CRISTÓVÃO X ITC
Jardim Liberdade - 10 h - AMERICA X RIVER PLATE
Vila Vitória - 10 h - VOLTA REDONDA X SANTOS DUMONT
Sarandi - 10 h - SARANDI X EC BRASILIA
Meia Ponte - 10 h - MEIA PONTE X VINTE
Clube dos 50 - 10 h - MADEIREIRA JR X CONTINENTAL
Vila Vitória - 16 h - DEMOCRATA X BAURU